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Capit�o Canarinho

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| Marcos Davi Melo * Enquanto um grupo de políticos de todos os matizes, cuja única peculiaridade comum era ser da patota do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, reunia-se em Zurique, configurando um colorido trem da alegria, à custa dos cofres públicos, e celebrava o Brasil como sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014, no Congresso Nacional, outro grupo de parlamentares chegava também ao cume das suas emoções, mas ao contrário da turma de Zurique, eles se exasperavam. Eram os parlamentares da Frente Parlamentar de Saúde, que viam a sua longa luta por mais recursos para reduzir o caos na saúde pública ser novamente frustrada. A repercussão de ambos os fatos entre a galera foi muito diferente. Ainda em Zurique, Dunga afirmava que a Copa era uma questão de patriotismo e a sua realização será muito importante para o desenvolvimento do Brasil, opinião que foi respaldada por luminares da intelectualidade nacional, como Carlos Heitor Cony. Sobre mais uma derrota, na luta por uma saúde pública um pouco mais decente e digna, não se ouviu nenhuma manifestação das elites da inteligência nacional. Eufórica com o evento esportivo, a torcida verde-amarela não estava nem aí para a CPMF e sua utilização. Não precisa ser profeta para prever que vão existir muito mais engajamentos de notáveis para garantir recursos para a Copa de 2014 do que para a caótica saúde pública. A Copa 2014, nova romaria nacional, mobilizará, além do mago Paulo Coelho, Zagalo, políticos e oportunistas variados, além do presidente Lula, totalmente ausente do debate sobre recursos para a saúde pública, que, aliás, ele já caracterizou como excelente. Certamente as atenções da população, dos políticos e da mídia estarão muito mais mobilizadas pela Copa 2014 do que pela solução dos problemas da saúde pública. Afinal, somos todos loucos por futebol e mais do que nunca o futebol servirá para diversos interesses. Enquanto isto, só alguns poucos, entre eles, os médicos e uns poucos parlamentares mais comprometidos e sérios estarão jogando esta partida com bola quadrada que é a defesa de uma saúde pública mais digna e mais humana. Cenário mais oba-oba não poderá existir para 2014. Depois de 64 anos, adentra novamente o Maracanã a Pátria em Chuteiras de Nélson Rodrigues e para o gramado verde do Planalto, apenas quatro anos depois, o capitão canarinho Lula estará totalmente disponível. Tudo muito propício para Galvão Bueno bradar: ?Vai nessa que a bola é tua Lula!?. (*) É médico e professor da Uncisal.

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