Opinião
Esperan�a e perigo - Editorial
Mais um nicho de mercado está sendo descortinado para os biocumbustíveis: a aviação. Segundo a imprensa especializada, o bioquerosene para aviões teria um grande potencial ?para decolar no mercado internacional numa velocidade maior que os outros combustíveis alternativos?. Assim como o biodiesel, o bioquerosene seria refinado a partir de vegetais oleaginosos. Um dos cientistas identificados entre os pioneiros nessas pesquisas, o engenheiro químico Expedito Parente, concedeu entrevista informando que ?o querosene vegetal está sendo testado em toda cadeia do transporte aéreo, incluindo fabricantes de aviões, turbinas e acessórios e a rede de distribuição de combustíveis aeronáuticos?. Seria isso mesmo? Tantas são as notícias inovadoras e explosivas que circulam com destaque, principalmente nos veículos especializados em trânsito no meio eletrônico, que é recomendado manter-se um pé atrás em relação a soluções milagrosas ? especialmente no vasto campo da energia. De toda forma, a notícia merece ser considerada com redobrada atenção, pois é uma tendência evidente o aumento das expectativas, esperanças e cobranças acerca dos combustíveis renováveis, especialmente os derivados de produtos originalmente destinados ao mercado de alimentos. E aí reside o perigo. Sem um planejamento global e estratégico eficiente, são igualmente evidentes os riscos de um radical desvio de rota: cana-de-açúcar, mamona, milho, soja ? dentre outros vegetais ? podem ter parcelas expressivas de suas produções deslocadas, de forma atabalhoada, numa espécie de ?corrida ao ouro?, da cadeia alimentar. São notórios os perigos anunciados pelas fontes não-renováveis de energia; mas são preocupantes as perspectivas de um anárquico processo de desvio de rota da produção de alimentos para a produção de combustíveis.