Opinião
Ser e fazer!
| Gilberto de Macedo * A atividade construtiva é própria da condição humana, enquanto o imobilismo é anormal sugere doença. Ser apático é se negar, é não ser. Ser para fazer! Sim, ser como eis a questão! Fazer para ser. E ser e para fazer, é para viver! Ser, desde que nascemos. É viver como tal, com a condição humana disponível, com uma identidade, para viver no mundo. Ser alguém. Como já argumentava Shakespeare: ?Ser ou não ser, eis a questão; pois que é mais nobre? Sofrer passivamente as setas e balistes./ Com que a fortuna enfurecida, nos Alveja,/ ou insurgirmo-nos Contra um mar de provações/ e Em luta pôr-lhes fim? Morrer, dormir: não mais?. Viver, pois, a vida, como se é, dizendo da autenticidade de ser. E, vivendo, fazer o que lhe permite a disposição individual ? das necessidades corporais e mentais às aspirações espirituais. Ser na plenitude de sua natureza orgânica, condição mental e situação social. Pois o social na pessoa é decorrência de sua condição humana, isso dizendo da identidade de cada um, sua situação na sociedade. Como afirma entre nós, o notável Gilberto Amado: ?Querer ser o que se é... é o essencial. Querer ser mais do que se é, é ser menos?. A cada um cabe, pois, o seu fazer, com originalidade, que lhe apetece e interessa, manifestação de criatividade individual. Nada fazer é não ser. É se contradizer. Mas, fazer, como peculiaridade de cada ser humano, nos seus limites condizentes. E o grande artista Bracque, então dizia: ?Não faço o que quero, faço o que posso?. Fazer como atributo individual, que diz da importância da originalidade estética na obra de arte. A cada um, pois, cabe o seu fazer na vida, nos limites da liberdade estabelecida nos preceitos legais democráticos. Fazer e deixar que os outros façam, conforme suas aspirações. Os intelectuais façam suas obras, os atores suas interpretações cênicas , os religiosos suas rorações. Ensina La Rochefoucauld: ?Ganharíamos mais se nos deixamos sertais como somos?. Sejamos, então, para fazermos. Façamos para sermos. Vivamos e deixemos viver, para fazer. É da essência da liberdade. Assim, se é. Assim se faz. Assim se vive. É vivendo que se faz. É fazendo que se vive. Para que se enriqueça a vida há que se fazer algo de belo, de bom, de justo. É da razão de existir como um ser no mundo. Fazer para ser o ato humano. Ser e fazer. Fazer e ser. (*) É médico e escritor.