Opinião
Cobran�a propositiva
| Rui Palmeira * No último domingo esta Gazeta de Alagoas prestou mais um bom serviço à população de nosso Estado. Reportagem do Caderno B apresentou as visões de parlamentares acerca da cultura, assim como a representação desta em suas atuações no legislativo. Leitores e eleitores, leram e tiraram suas conclusões. Em 2007, a agenda política de Alagoas viveu, e ainda vive, momentos conturbados. Turbulências que afetaram a Assembléia Legislativa e acabaram por preencher os espaços de discussões. Diante de entraves como greves, dívida pública e deficiências na máquina administrativa, o tema da cultura, mesmo importantíssimo, acabou ofuscado por outros debates. No passado, a temática parece também não ter recebido da Casa de Tavares Bastos reconhecimento à altura, fato que cabe aos representantes de outras legislaturas explicar o porquê. Como resultado perverso, contabilizamos o déficit em políticas públicas de fomento e a lacuna legislativa. A cultura em Alagoas, oficialmente, é orfã de marco legal que a promova e ampare. Somos 27 deputados com interesses diversos e orientações ideológicas diferentes. Neste mosaico, unir esforços é um desafio, embora estejamos na Assembléia para fazer ressoar a voz da sociedade, que para isso nos elegeu. Sociedade que deve se apropriar do Legislativo, fazendo com que este poder ecoe suas reivindicações e proponha soluções em nome do desenvolvimento. As organizações não-governamentais, as entidades de classe, a iniciativa privada, os grupos foclóricos, enfim, os empreendedores da cultura devem exigir a criação de leis que amparem a produção cultural. O legislador é um instrumento para a materialização, na forma legal, de bases que regulamentem ações em prol de todos. Se a cultura não consta na pauta parlamentar, os que por ela lutam devem cobrar ações apresentando sugestões e propostas. Estes devem se mirar no exemplo da comunidade científica. Enquanto nos anos 80 a discussão sobre ciência e tecnologia era anêmica no parlamento estadual alagoano, um grupo de pesquisadores, professores, estudantes e intelectuais se reuniu e iniciou um movimento de ?cobrança propositiva?. Com o apoio de lideranças como o atuante ex-deputado José Medeiros, e por sugestão de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à C&T, surgiu a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas, nossa indispensável Fapeal. Hoje, um movimento articulado como este em favor da cultura poderia render frutos igualmente valiosos para um setor que, mesmo a despeito de sua relevância, vive à mingua. (*) É deputado estadual.