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Opinião

Santo de casa j� faz milagre

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| Roberto Pimentel Lopes * Os tempos mudam; e os ditados também. No entanto, muitos alagoanos ainda parecem crer que santo de casa não faz milagre. Uma parte significativa do mercado de Alagoas continua com tendência de achar que o que vem de fora é necessariamente melhor, quando a realidade mostra o contrário. Essa visão equivocada tem provocado uma exportação de talentos e uma importação de mediocridade, causando prejuízos ao presente e ao futuro do Estado. Em muitos setores, nosso Estado simplesmente desconhece seu potencial ? quer seja por falta de oportunidade para apresentar produtos e idéias, quer seja pelo bloqueio daqueles que temem que alguém apareça e tome o seu lugar. Só para se ter uma idéia, muitas lojas que vendem móveis e estofados de qualidade produzidos em Alagoas não mencionam o fato com receio de comprometerem as vendas. Hoje Alagoas produz e distribui portas para todo Brasil, além de exportar para vários paises. Mesmo assim, acompanhamos recentemente construtoras de Alagoas importando portas de São Paulo ? com critérios de compra nem sempre adequados às normas técnicas ? e movidas apenas por preços incentivados por uma política fiscal que cobra 3% de ICMS dos materiais de construção adquiridos em outros Estados, contra 17% dos produtos alagoanos. Ou seja, perdemos uma grande oportunidade de fazer nossa riqueza circular no Estado e passamos a exportar empregos das poucas indústrias de Alagoas para outros Estados. Outro fato gritante neste contexto é a participação das compras do governo do Estado no setor, como mobiliário escolar, por exemplo. Há décadas que as compras de carteira escolar são dirigidas para empresas do Sul do País, quando aqui produzimos e exportamos para Estados vizinhos com qualidade superior, inclusive com a presença de uma entidade filantrópica ? Juvenópolis ? que dispõe de uma fábrica ociosa e saldo a receber do governo do Estado. Bons exemplos não faltam para os nossos conterrâneos. Em recente visita a uma obra em São Paulo ? investimento de um grupo gaúcho ? constatamos que tudo vinha do Rio Grande do Sul: desde a equipe de profissionais e mão-de-obra aos materiais de construção. Nossas indústrias, empresas de serviços e profissionais já têm o seu valor reconhecido lá fora. O mercado local precisa saber que o santo de casa já faz milagre. E não é de hoje. (*) É empresário e engenheiro civil ([email protected]).

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