Opinião
Ajustes em debate - Editorial
Grandes são as expectativas decorrentes do anúncio da assinatura do ajuste fiscal pelo governo de Alagoas com o governo federal. O debate, vez por outra, cede espaço a equívocos, como a cobrança de ?uma discussão prévia? entre incontáveis entidades governamentais e não-governamentais, além de sindicais. Na verdade, esse debate, transparente e duro, deverá acontecer quando do cruzamento detalhado de todas as contabilidades dos entes públicos do Estado. E não deverá ser polêmica aguada, insípida. Dentre as hipóteses que mais estimulam as conversas e fofocas está a possibilidade de abertura de pretensas ?caixas-pretas? através de auditorias conduzidas pelo Tesouro Nacional. Segredos à parte, efetivamente o Estado precisa passar a limpo seus dispêndios em todas as suas esferas de poder - e não apenas na área do Executivo. Na verdade, esse trabalho de levantamento e conferência da evolução detalhada do quanto, quando, para quem, como e por que é pago deveria ser obrigação cotidiana dos poderes constituídos e, como nada é estático, o ajuste fiscal deveria ser uma prática permanente, corriqueira, e não uma inusitada e temida ação inquisitória. Não pode ser visto o ajuste fiscal como uma invasão de privacidade ou uma devassa punitiva. O verdadeiro ajuste fiscal é uma política permanente de adequação das demandas, das fontes e das estratégias que regem o erário de forma abrangente. E além de responder às questões próprias do custeio da máquina, financiamento de projetos e pagamento de salários, o ajuste fiscal também busca equacionar os dispêndios de forma que possam ser estimulados meios necessários à retomada do desenvolvimento econômico e social do Estado como um todo. Sejam quais forem os ajustes que precisam ser feitos em benefício de Alagoas, serão decisões jamais unânimes e sempre exigentes de coragem política.