Opinião
Os pacientes muito pacientes
| Ivo Werneck * Está se generalizando o mal atendimento, pelas recepcionistas e atendentes, àqueles que recorrem aos consultórios, clínicas e hospitais. Diariamente, milhares de pessoas, ao procurarem vários desses locais para consultas, exames e procedimentos médicos, são tratadas com absoluta leviandade, como se idiotas fossem ou deveriam ser. Há dias, conversando com uma administradora hospitalar e instrutora de recepcionistas, me dizia ela que o problema é sério e realmente encontra-se generalizado, tornando-se como se normal fosse. Os subterfúgios direcionados aos pacientes na tentativa de, com o beneplácito de médicos e administradores, enganarem ? esta, infelizmente, é a palavra certa ? àqueles, que, com um misto de sentimentos que oscilam entre a humilhação, insegurança e desconfiança, aguardam o atendimento. Esse desrespeito, institucionalizado, e, simulado através de maneira ?polida?, é tão cruel, quanto um atendimento brutal. Falsas informações aos pacientes, ordem de atendimento descumprida, atrasos injustificáveis, tudo isso e muito mais, está levando as pessoas à indignação. Desnecessário seria escrevermos que não são todas as recepcionistas, atendentes e médicos que agem dessa forma. Mas, louvemos, a situação está mudando. Já não são raros os casos de manifestações, em público, dessas pessoas que se sentem prejudicadas. Cenas de protesto, já podem ser observadas, freqüentemente, em consultórios e clínicas. Em uma das salas de espera ? são utilizadas, várias vezes, mais de uma, transferindo-se os pacientes, iludindo-os no sentido que estão sendo bem atendidos ? de um renomado hospital de Maceió, vários pacientes, inclusive humildes e idosos, mostravam-se desconfiados com a lisura do atendimento, e, surpreendentemente, comentavam, entre si, sobre a existência de uma gerência para receber reclamações, no estabelecimento. Se essa ?ouvidoria? resolveria ou não as razões das queixas, é uma outra questão. Enquanto essas recepcionistas ou atendentes, mal preparadas e inseguras, por um lado, e, tais médicos ou administradores, também responsáveis pela situação, pelo outro lado, continuarem com tais posturas, quem vai permanecer sofrendo são aqueles que, ressaltemos, cumprem rigorosamente seus compromissos médicos, como cidadãos e pacientes. E como são pacientes! (*) É engenheiro eletricista.