Opinião
Servi�o completo - Editorial
Carranca é o nome da mais nova operação da Polícia Federal que busca esclarecer supostos desvios de verbas públicas em vários municípios alagoanos. Carranca, segundo o Aurélio, significa, além de cara feia, careta, o ?busto, emblema ou florão que se colocava na proa de navios à vela, por baixo do gurupés, para ornamentação e, supostamente, para afastar os maus espíritos?. Explica também o dicionário, que embarcações equipadas com carrancas à frente singravam o Rio São Fancisco acima e abaixo. Vamos torcer para que esta carranca posta em movimento pela Polícia Federal efetivamente vença águas turvas e turbulências em seu curso, afastando os maus espíritos da corrupção sem medo de cara feia nem de caretas. Um fato positivo nesta operação é a nítida redução do show público, como em outras ações quando a superexposição dos detidos funcionava como uma condenação antecipada e indelével. O correto é reconhecer aos detidos, em suas condições de suspeitos e/ou indiciados, o direito constitucional da defesa e a manutenção, até o anúncio do veredicto, da presunção de inocência. O correto é cumprir rigorosamente (e eficientemente) todas as etapas do processo e prestar contas a sociedade de tudo que foi investigado, apurado e ? ao fim e ao cabo ? julgado. Esse é o caminho acertado para o combate à impunidade. Infelizmente, a cenografia forte, talvez exagerada, quando das detenções dos acusados, proporciona a falsa sensação de caso encerrado e culpados devidamente identificados e punidos. Nada disso, essa etapa ? com ou sem holofotes ? é apenas a etapa inicial. O inquérito segue adiante e só depois de transitado em julgado é que o serviço se completa. A cidadania exige começo, meio e fim em cada caso investigado. Isso vale para carrancas, hurricanes e guabirus.