loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A Revolta da Vacina

Ouvir
Compartilhar

| José Medeiros * O telefone tocou e, ao atendê-lo, manifestei a alegria de ouvir uma professora de minha amizade. Convidou-me para proferir uma palestra destinada a concluintes do nível médio da escola que dirige. Acrescentou: trata-se de uma turma de bom nível intelectual, cuja maioria vai fazer vestibular de medicina. Eles desejam um tema ligado à ciência ou medicina. ?Prevenção, a medicina do século 21? foi o tema escolhido. Nesse assunto tão abrangente resolvi discutir as vacinas e a preciosa contribuição que trouxeram à saúde das pessoas. No dia combinado, uma agradável surpresa: um público bem maior que o esperado, com maioria acentuada do sexo feminino. Iniciei a palestra com uma série de perguntas, tentando mudar o estilo de uma exposição formal. Indaguei: Que vacinas conhecem? Qual a primeira vacina a ser utilizada na história da medicina? Já ouviram falar na Revolta da Vacina? Como seria a medicina atual, se não existissem as vacinas preventivas contra difteria, coqueluche, tétano, paralisia infantil, sarampo, febre amarela, gripe, varíola, entre outras? Uma das poucas perguntas que não foram respondidas, foi com referência à ?Revolta da Vacina? e, por essa razão, detenho-me nesse ponto. Há cerca de um século, entre 1902 e 1905, a cidade do Rio de Janeiro, capital da República, estava assolada por três epidemias: febre amarela, varíola e peste bubônica. Procurava-se um homem de ciência e de ação capaz de enfrentar essa grave crise sanitária, que provocou a morte de milhares de pessoas. A notícia já repercutia no exterior e comandantes de navios estrangeiros recebiam a recomendação: ?Viajem direto para Buenos Aires e não parem no Rio de Janeiro, pois, lá, perigosos focos de epidemia mataram 234 tripulantes do navio italiano Lombardia?. Oswaldo Cruz assumiu a direção da Saúde Pública e criou as Brigadas Mata-Mosquitos, para exterminar os mosquitos transmissores da febre amarela. Para erradicar a varíola, utilizou a vacina em larga escala e convenceu o Senado a aprovar a Lei da Vacina Obrigatória. Jornais de oposição divulgavam supostos perigos causados pela vacina e, além disso, faziam circular rumores de que a vacina teria de ser aplicada em partes íntimas das mulheres. As epidemias foram controladas, porém, em lugar de elogios e uma merecida estátua, Oswaldo Cruz foi surpreendido por uma revolta popular contra a vacina. A cidade foi transformada em campo de guerra, com dezenas de vítimas. (*) É médico, ex-deputado estadual e ex-Secretário de Saúde e de Educação.

Relacionadas