Opinião
Data apequenada - Editorial
Mais um 15 de Novembro e mais uma programação para este dia fica situada (muito) abaixo da real importância da data. Infelizmente, a desatenção para com o Dia da Proclamação da República não é um descuido alagoano. O menosprezo para com as datas cívicas brasileiras é um problema nacional antigo, mantendo vivo um desserviço crônico em prejuízo da cidadania. Uma data cívica é algo além de um simples feriado, ou de uma agenda comemorativa burocrática e formal. Nas datas cívicas, a comunidade se reconhece enquanto unidade cultural. Os povos que alcançaram níveis mais elevados de civilização sempre souberam galvanizar esse sentimento de unidade entre as enormes disparidades formadoras de uma Nação. Para nós, que nos tem dito os Sete de Setembro, 15 de Novembro, 13 de Maio, 20 de Novembro e outras datas oficiais, constantes dos calendários? Pois os alagoanos deveriam, especialmente, dedicarem-se ao 15 de Novembro. E mais que isso, deveríamos tecer programações de alto nível unindo o Dia da Proclamação da República ao Dia Nacional da Consciência Negra ? datas separadas por apenas cinco dias e ambas extremamente importantes para a compreensão da fantástica colcha de retalhos, diversa e bela, formadora da alma brasileira. Resumir o 15 de Novembro a uma data municipal é pura miopia. Diametralmente oposto é o entendimento de que o município natal do proclamador seja considerado o centro das atenções. Mas não é isto o que está acontecendo hoje. Neste 15 de Novembro de 2007 uma programação acanhada está reduzindo a importância da data e Alagoas está perdendo mais um ano para entender que uma data nacional bem comemorada é, além do fortalecimento do civismo e da cultura, uma excepcional oportunidade de geração de emprego e renda.