Opinião
� o compositor
| Pedro Cabral * Quando JK foi inaugurar o imenso açude de Orós, os alunos do Jardim Infantil se perfilaram para saudá-lo. Gentil, ele se aproximou de um sorridente menino e prognosticou: esse menino, vai longe. Tem cara de cantor. A previsão aconteceu. Gaubi acaba de lançar um CD com músicas suas e de seus amigos. Sou amigo dele e, por conta dele, fiquei amigo de alguns cearenses. Dentre eles, Amaro Penna, o Peninha. É Peninha por causa do sobrenome, apesar de um leve traço, lá por trás da Serra de Meruoca, com o cantor homônimo. Na verdade, um jornalista-músico alagoano, também conhecido como Peninha, se parece muito mais. Este fica invocado quando os amigos, por pura sacanagem, afirmam que adoram aquela música dele: ?Tudo era apenas uma brincadeira...?. O Peninha, lá do Ceará, é também chegado numa música. Compositor e produtor musical. Mas como todo cearense, ele também carrega no sangue o bom humor. Encontro-o no show do Gaubi. Papo vai e vem e ele me conta que, certo dia, um convite de casamento lhe chegou às mãos. Leu os nomes dos nubentes e não os reconheceu. Será algum engano? Amigos meus e não me lembro mais? Devem ser amigos. Afinal, escreveram Peninha, coisa para íntimos. O convite pedia para confirmar presença. Confirmou. Após a cerimônia de casamento, os recém-casados receberam os convidados numa das mais chiques casas de festas de Fortaleza. Peninha não havia ido à igreja. Foi direto pra comemoração. À porta, o casal feliz recebia os convidados. Um mestre de cerimônia anunciava em voz alta o nome do conviva da hora. Ainda existe isso sim. Quando o nome-apelido do Peninha foi anunciado, um imenso sorriso, uma alegria incontida, raiou nas faces dos pombinhos. Depois de efusivos abraços, ela comentou: Peninha, que bom que você veio. Saiba de uma coisa, você é o grande responsável pelo nosso casamento. Pela nossa felicidade! E Peninha, intrigado, porém sorridente, e sem conhecer aquela figura ainda, achou de perguntar: qual foi a minha modesta contribuição nesse envoltório? Ao que a nova senhora respondeu no ato: a sua modesta? Você diz modesta? Saiba, meu amigo, que suas músicas fizeram esse casamento. Foram elas e somente elas! Peninha sentiu um frio no pé da barriga. Ela me confundiu! E agora? E daí? Perguntei ansioso. Ao que nosso Peninha argumentou: ?Eu não ia acabar a festa da moça. Inda mais que tinha lá uns uísques da época de Padre Cícero. Depois, lá pras tantas, eu a chamei num canto e expliquei que o Peninha dela era outro. E zarpei rápido?. (*) É arquiteto e professor da Ufal.