Opinião
Cuidados energ�ticos - Editorial
Para quem aposta no mercado dos biocombustíveis é fundamental manter a atenção sobre a pauta de discussão desse item nos grandes centros europeus. Além de ser um precioso nicho de mercado per si, as opiniões dos grandes países da Europa ainda ditam regras pelo mundo afora. No início deste mês, a União Européia realizou a Conferência Internacional sobre Cooperação Energética entre a Europa e a América Latina. No evento, além de definir como meta 20% de adição do biodiesel e etanol aos combustíveis fósseis, foi elaborada uma lista de indicativos sobre dúvidas e cuidados para com a sustentabilidade dessas novas alternativas energéticas. Para o Brasil, esses indicativos, esboçados com o apoio do nosso Ministério do Meio Ambiente, indicam ? nesse primeiro momento ? que ?o Brasil deve excluir a Amazônia e o Pantanal mato-grossense do zoneamento agroecológico para o cultivo da cana, que será concluído até julho de 2008?. Segundo os representantes do governo brasileiro presentes a essa conferência, ?apesar da clareza, entre os europeus, de que o etanol de cana-de-açúcar é a melhor alternativa para se reduzir a emissão de carbono, já que o produto brasileiro apresenta um balanço energético muito superior ao etanol de milho produzido nos Estados Unidos, persiste a preocupação com a cultura da cana invadir terras férteis, comprometendo a produção de alimentos, e estimulando o avanço do desmatamento?. Mais uma vez é reforçado o princípio de que os biocombustíveis ? dentre esses o etanol (que muito interessa a Alagoas) ? não devem ser objetos de uma corrida sem princípios pela ocupação dos mercados. As questões do meio ambiente e da alimentação não podem ser menosprezadas nesse grande esforço da humanidade para se livrar da dependência e das mazelas dos combustíveis de origem fóssil.