Opinião
Encontros e desencontros
| Ronald Mendonça * Numa sucessão de encontros, eis que encontro no saguão do Hospital Universitário a sempre encantadora Genilda Leão, ex-secretária de Saúde de Maceió. Depois de me surpreender ao declarar-se fiel leitora dessas bobagens semanais, Genilda acha que eu pego pesado com o SUS e com o Lula. Navegantes do mesmo barco em diversos projetos, o prazer de revê-la supera qualquer divergência pontual. Quem teve encontro marcado com os amigos, admiradores e discípulos de Alagoas foi o bravo guerrilheiro José Dirceu, deputado cassado por safadezas, de cujo bunker do Paraná (lembram-se do pacato dono de lojinha?) comandaria memoráveis e arrojadas investidas contra o regime militar. Certamente, sem sua ousada e destemida liderança, ainda hoje estaríamos sob o tacão da feroz ditadura. Em entrevista coletiva, o lobista de multinacionais e eterno ícone do PT defendeu a CPMF como um imposto justo, uma vez que, segundo o guerrilheiro, paga mais quem ganha mais. ?Talvez por ignorância ou maldade das piores?, a sagaz inteligência do líder petista não quer alcançar que a CPMF recolhida dos industriais e comerciantes é imediatamente transferida aos preços das mercadorias. Ou seja, a classe média, de longe a maior consumidora do País, sem ter como repassar, paga por si e pelos industriais e comerciantes. É o que ocorre com os mais pobres, mesmo quem não passa cheques. Daí o efeito exponencial dessa taxação perversa. No final, o lucro é para o governo. (Aliás, por falar em lucros, sob as bênçãos de orientação ?socialista?, nunca neste País os bancos lucraram de forma tão acintosa). Além de assegurar o patrocínio das farras de verbas para partidários e apaniguados (vide a roubalheira na construção dos aeroportos, dentre tantas outras), o imposto financia a ?utopia socialista?, a famigerada Bolsa-família, garantia de eleição para o resto da vida. Um outro encontro, este de repercussão mundial, foi o do gorila ditador da Venezuela, coronel Hugo Chávez, com o rei Juan Carlos da Espanha. Incorporando o espírito do típico déspota latino, acostumado a desacatar (o termo mais adequado seria esculhambar) Deus e o mundo, fanfarrão e exibicionista, o truculento gorilão soltou a habitual verve agressiva contra o ex-dirigente espanhol. Indiferente aos apelos de ?respeito? a um líder eleito pelos espanhóis, tornou-se ainda mais arrogante. No fim, botou o rabo entre as pernas quando o rei passou-lhe um pito, ordenando que calasse a boca. (*) É médico e professor da Ufal.