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Privatizando o medo - Editorial

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Algumas soluções têm o dom de gerar preocupações adicionais, mesmo tendo reconhecida eficiência em enfrentar os problemas sobre os quais se debruçam. Este é o caso do vertiginoso crescimento das chamadas forças de segurança particular. Não é novidade, em nenhum lugar do mundo, a prática da segurança particular. Aqui e alhures essa é uma atividade com séculos de experiência. Sejam ?vigias? ou vigilantes, sejam guarda-costas ou capangas e jagunços, sejam todas as modalidades de exercício de segurança privada, o importante é o controle rigoroso dessas formas embrionárias de milícias. Qual o controle, qual o tamanho, o que pode fazer com que a milenar atividade da segurança privada possa vir a ser considerada uma atividade de riscos para a sociedade e para a cidadania? Não será fácil responder a essa pergunta através de números, índices ou porcentagens. O limite mais apropriado talvez seja o bom senso, o senso comum de que as coisas estão passando dos limites, seja pelo aumento da quantidade das pessoas empregadas neste mister, seja pelo armamento usado, seja pela desenvoltura de seus integrantes, etc. Resumindo: aparentemente, estamos vivendo um momento no qual deveremos nos preocupar com as causas e as possíveis conseqüências do evidente excessivo aumento das atividades dos grupos de segurança privada. O primeiro motivo de preocupação é o fato inegável que tal crescimento é devido à impotência das forças policiais em cumprir suas funções básicas. Amedrontada, a população começa a substituir a polícia em sua missão precípua. Outro motivo de cuidado é a inegável tendência para (a partir da banalização do trabalho de grupos de segurança) o surgimento de verdadeiras milícias ? que, como a história ensina, terminam por expandir suas funções para além da encomenda inicial.

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