Opinião
Mulheres no poder
| Mirian Gusmão Canuto * Coincidentemente é a segunda vez que estou em Buenos Aires em Dia de Eleição. O que já havia observado, volta a se repetir: o país não sai da rotina. Qualquer cidadão desinformado que chegue à Argentina, não saberá que é um dia eleitoral. Os shopping centers abrem normalmente. Apesar de também contaminados pelo vírus da corrupção, nossos vizinhos têm outro grau de civilidade. As ruas e os muros permanecem limpos. Nos dias que antecederam a eleição, entrevistei algumas pessoas: lojistas, taxistas, estudantes. Todos confirmavam o favoritismo de Cristina Kirchner, porém, diziam votar em Elisa Carrió e justificavam: ?Na grande B. Aires e nas cidades mais desenvolvidas, Cristina deverá perder. As pessoas aqui possuem maior nível intelectual?. À noite do domingo, 28 de outubro, as declarações estavam confirmadas. Eleita pelo interior e rejeitada por grandes cidades, Cristina Kirchner terá o desafio de unir a Argentina, um país politicamente dividido. A primeira-dama perdeu nas grandes cidades como Buenos Aires, Rosário, Córdoba, Baía Blanca e Mar del Plata com 24% dos votos contra a Líder da Coalizão Cívica, Carrió com 38%. Ouvi alguns comentários políticos dizerem que a classe média urbana não se sente representada pelo casal Kirchner e reflete a forte rejeição ao projeto político da sra. Kirchner. O resultado da capital irritou alguns membros do governo, entre eles o chefe de gabinete Alberto Fernandes, principal assessor dos Kirchners: ?Eu pediria à cidade de Buenos Aires que seja parte do país e deixe de pensar e votar como uma ilha?. Após eleita, a presidenta convocou todos, mesmo os que não eram seus eleitores, a participarem do seu governo, num gesto grandioso, já que conhece o perfil autoritário do marido. Na Argentina, as mulheres lideram o cenário político. Cristina Kirchner na Casa Rosada e Elisa Carrió, a principal força opositora do país. Apesar de um grande índice de abstenção, a Argentina deu uma lição de democracia. Fico analisando a estratégia dos políticos atuais: indicarem suas mulheres aos cargos majoritários. No Rio de Janeiro, Garotinho foi o pioneiro. Como no Brasil os absurdos políticos se sucedem, fico imaginando que nas próximas eleições poderemos ter como candidata Marisa Letícia, já que alguns aliados do presidente começaram a falar de terceiro mandato. Que a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos proteja. (*) É médica e empresária de Turismo.