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Tesouros relegados - Editorial

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Mais um dia seguinte ao 20 de novembro. Esperar-se-á mais um ano para que as atenções sejam votadas para o sítio histórico do Quilombo dos Palmares? Grande conquista do então chamado ?movimento negro?, o dia 20 de novembro, foi incorporado (quase a força) no calendário de datas nacionais. Em meados dos anos 70, as lideranças negras começaram a chamar a atenção do País para a Serra da Barriga. Aqui chegaram de outros Estados (Bahia, Rio, São Paulo...) e começaram a despertar os alagoanos e o resto do Brasil para o tesouro histórico enterrado naquele lugar. Cerca de duas décadas depois de redescoberta a Serra da Barriga, Zumbi teve seu nome oficializado como herói nacional. Anteontem, três décadas após iniciadas as romarias cidadãs à Serra da Barriga, foi, finalmente, inaugurado o parque temático. Ontem, mais um vez, foi comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra, data que torna inesquecível o sacrifício final do último líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, localizado e assassinado na Serra dos Dois Irmãos, quase dois anos depois de ter sido arrasada a capital quilombola no alto da Serra da Barriga. Esses sítios ? dois, e não apenas um ? devem ser perenizados como referências cotidianas. Não basta celebrar o 20 de novembro. Limitar a saga dos palmarinos e de Zumbi a um único dia é uma demonstração de miopia, de mesquinhez. Os sítios históricos da Serra da Barriga e da Serra dos Dois Irmãos (este ainda ignorado) devem ser motivos de visitas permanentes. Quer seja sob o ponto de vista da conscientização cidadã, quer seja da valorização histórica, e/ou do turismo étnico e cultural, Alagoas segue menosprezando seu próprio patrimônio, desperdiçando oportunidades preciosas de geração de emprego e renda. Amanhã, quem sabe, descobriremos essas nossas botijas.

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