Opinião
Negociando sa�de? - Editorial
Negocia-se intensamente, nos dias em curso, às claras (mas nem tanto), a prorrogação do afamado tributo CPMF. Seria muito importante que as bases desses acertos fossem mais amplamente discutidas e acompanhadas pela sociedade. Justifica-se, pelos argumentos do governo, a manutenção da CPMF pela necessidade de custeio do setor público de saúde ? um argumento de grande força. Mas em que segmentos da saúde serão investidos esses recursos? Não seria hora detalhar e ?amarrar? essas destinações? Por exemplo, quanto do montante a arrecadar poderá ser investido em saneamento básico? Pois é, saúde não é só hospital. Como diz a sabedoria popular, ?mais vale prevenir que remediar?. E o Brasil pouco, quase nada, tem cuidado de ampliar seus investimentos na prevenção. Saneamento básico é essencial para a saúde pública ? a palavra ?básico? não está aí à toa. E o Brasil tem relegado essa necessidade basilar: nos últimos quatro anos, o investimento foi de 0,22% do PIB, quando deveria ser de (no mínimo) 0,63%. Segundo entidades de pesquisa nessa área, a cada R$ 1,00 aplicado em saneamento básico, seriam economizados R$ 4,00 em gastos com saúde, pois grande parte das doenças vincula-se a inexistência ou ineficiência do saneamento básico. Na última década, cerca de 700 mil internações hospitalares anuais junto ao sistema público devem-se a doenças relacionadas à deficiência de saneamento. Estima-se que 65% das internações de crianças com menos de 10 anos sejam provocadas pela mesma causa: falta de esgoto e de água limpa. Apenas 1/3 dos brasileiros é atendido pelo serviço de saneamento básico e para reverter essa situação caótica até o ano 2020, precisaríamos de um investimento médio na ordem de R$ 9 bilhões por ano. Por que não negociam isso já, neste imbróglio da CPMF?