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A crise anunciada

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| ÁLVARO MENEZES * A CNN International, em documentário intitulado World Water Crisis, tratou da escassez de água no mundo expondo graves estatísticas que demonstram como há regiões na Terra onde a luta pela água é constante e que as condições sociais e econômicas de muitos países estão afetadas pela falta de água em qualidade e quantidade para atender as demandas atuais. Os estudiosos consideraram causas dessa escassez o crescimento da população, o alcance e a busca por melhor qualidade de vida, além, é claro, da forma irracional com que se usou e está se usando a água em algumas regiões do planeta. Alertaram para os problemas futuros decorrentes do aquecimento global e da poluição, que poderão levar a desastres socioambientais, caso não se impeça a degradação do meio ambiente e dos recursos hídricos. Foram claros no reconhecimento, ainda, de que é fundamental planejar com mais rigor, superando a fase das grandes obras e se dedicando com total ênfase à imposição contínua e permanente de uma visão diferente de uso da água. O conceito mais repetido é o de que não se resolve o problema da demanda por água apenas com a construção de barragens, captações, canais, adutoras e chafarizes; tudo deve ser precedido por estudos e projetos que demonstrem como está a relação oferta-demanda. A gestão dos recursos hídricos é uma das poucas chaves para a garantia de um futuro sustentável. Uma das graves conclusões dos cientistas americanos nesse trabalho foi que os Estados Unidos vivem uma situação de estresse hídrico em quase todo o território, com áreas onde já se alcançou a classificação de elevado grau de estresse. Lá é visível a mobilização da sociedade e do governo para se adequar a um novo mundo que não está mais tão longe quanto parecia. No Brasil, apesar do Lulismo ter tentado fazer da ANA (Agência Nacional de Águas) uma Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), modelo que queria implantar em todas as agências de regulação, graças a Deus não conseguiu. Ter a ANA funcionando como órgão técnico e com razoável autonomia é uma oportunidade de se evitar que o Brasil fique na situação em que se encontram hoje os Estados Unidos. E, diga-se, lá há mais de cem anos já se falava em gestão de recursos hídricos. O estresse hídrico já é uma realidade também por aqui e não é só no Nordeste onde 29% da população brasileira dispõem apenas de 3,3% da água doce do Brasil, no Sudeste, são 43% disputando o uso de 6% da água. Sem estresse, apenas o Norte e o Centro-Oeste. (*) É engenheiro civil e diretor comercial da Casal.

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