Opinião
Realidade ou pesadelo
EDUARDO BOMFIM * Em ?Memórias de Adriano?, romance histórico escrito por Marguerite Youcenar, há uma passagem em que o imperador romano afirma ? o que nos tranqüiliza no sono é a certeza de que dele retornamos os mesmos. Na vida real as coisas são bem diferentes com as pessoas ou com as nações, porque os fatos ou fenômenos possuem causas concretas só removíveis através de iniciativas e outras estradas que as levam para melhores dias. Repensar um novo Brasil é também a melhor maneira de redirecionar a trajetória de Alagoas e acordarmos deste pesadelo. Sendo que lutar e transformar os condicionantes que obstruem a possibilidade de construirmos o nosso Estado, economicamente viável e socialmente mas justo, será a forma apropriada de darmos a nossa cota nesta árdua empreitada nacional. A grande verdade é que estamos vivendo uma crise de natureza econômica e estrutural cada vez mais terrível. Nela existem vários personagens e situações. A fome, crescente vulnerabilidade monetária, desemprego, estagnação econômica e os Elias Malucos da vida. Apesar disso, assistimos à repetição da armação dos falsos escândalos e muitos recursos, com o intuito de alavancar, como um potente guindaste, a campanha de José Serra. Os recentes episódios, envolvendo o PT em Santo André, assemelham-se incrivelmente aos que enredaram manobras contra Roseana Sarney. Até os atores mobilizados e o clima policialesco são idênticos. Só que uma farsa grotesca e muito mal armada. De toda forma, o impulso desesperado que motiva essas ações repousa na sofreguidão dos que não admitem perder o poder. Além, é claro, os fabulosos lucros auferidos em detrimento da crescente miséria dos trabalhadores, setores médios da sociedade e segmentos empresariais da área produtiva. Cada vez mais evidencia-se a imperiosa necessidade da criação de uma ampla frente de salvação nacional. Sem a qual será uma tarefa de Hércules derrotar o capital especulativo externo e interno e os grandes bancos. Todos com a cumplicidade da grande mídia nacional. O campo progressista e nacional, composto pelos patriotas, representa a alma, a inteligência da nação e a insubordinação popular. Em Alagoas, como de resto em todo o País, persiste ainda, por parte de figuras importantes, a visão paroquial típica de quem só enxerga o poder em torno de grupos. Aí, entre estas duas forças, é que percebo o grande confronto que se avizinha. Os poderosos, minoritários mas detentores do mando dos destinos do País e de Alagoas e as amplas massas do povo, majoritárias porém sem recursos e meios suficientes de comunicação. Estes últimos, mesmo assim, em diversos períodos da nossa História, aqui e em todo o País, já moveram montanhas e derrubaram muralhas aparentemente intransponíveis. E serão mais uma vez os vitoriosos. (*) É ADVOGADO