Opinião
Dan�a da chuva, j�! - Editorial
Áugures de plantão têm divulgado sombrios presságios sobre o futuro imediato do abastecimento energético brasileiro, prevendo um período para acentuado risco de apagões: entre 2009 e 2010. Estaríamos prestes a nos atropelar, novamente, em termos de estrangulamento no setor energético. Segundo oráculos tecno-ecológicos, as perspectivas seriam de tal comprometimento que ?nem mesmo a recente descoberta de uma enorme jazida marítima de petróleo será suficiente? para amainar as altas probabilidades do retorno dos apagões que caracterizaram os tempos de FHC. Segundo esses técnicos, as previsões de pane por exaustão no sistema só poderão ser postergadas se os céus nos ajudarem, ou seja, se chover além da conta nos períodos certos, garantindo níveis excepcionais nos principais reservatórios das hidrelétricas. Ou seja, mesmo com planejamento estratégico e ações coordenadas para evitar tais riscos, a situação ainda permaneceria arriscada, em função do crescimento da demanda e da estagnação da oferta energética. Segundo técnicos do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, ?somente dentro de sete a 10 anos (a jazida petrolífera de) Tupi começará a dar resultados concretos?. Pela a avaliação desses técnicos, ?a economia começou a crescer entre 3% e 5% ao ano e não houve um acompanhamento de investimentos na área energética diretamente proporcional a esse crescimento?. Tal avaliação destaca que ?quase 84% da matriz energética tem origem nas hidrelétricas? enquanto as outras fontes contribuem com números irrisórios, como 4,5% para a energia gerada a partir do gás natural; 4,3% da biomassa; 2,4% nuclear e 2% do carvão?. Dependente em mais de 80% da energia hidrelétrica, sem contar com planos e investimentos ousados, e com a economia crescendo (mesmo que apenas 3%), só nos resta rezar para que chova.