Opinião
Fio de esperan�a
| JOSÉ FIRMINO DE OLIVEIRA * O povo alagoano, como de resto boa parte do povo brasileiro, tem acompanhado com atenção redobrada a atuação da Polícia Federal nos escândalos de desvio de dinheiro público que envolve um grande número de políticos de Alagoas, dentre esses mais da metade dos parlamentares com assento na Assembléia Legislativa deste Estado, acusados de desviar quase R$ 300.000.000,00 para as suas contas bancárias. Até bem pouco tempo os políticos alagoanos se consideravam acima do bem e do mal. Aqui, o político podia tudo. Matar, roubar, comprar votos e ter para si todo o dinheiro público que quisesse. A situação era insuportável até que, no dia 17 de maio de 2005, a Polícia Federal desencadeou a operação Guabiru prendendo vários prefeitos e ex-prefeitos acusados de desviarem dinheiro da merenda escolar. Iniciava-se aí uma nova fase na política e na administração pública deste pobre Estado Nordestino. Dois anos depois dessa benfazeja ação, em maio de 2007, a Polícia Federal voltou a atuar em Alagoas e nos Estados de Sergipe, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e no Distrito Federal, realizando a Operação Navalha com a finalidade de apurar desvio de recursos federais destinados a construção de obras públicas. Essas duas operações devolveram ao povo de Alagoas a esperança de ver este Estado livre das armas, das crueldades e da roubalheira dos novos coronéis da política alagoana, quando já não mais se acreditava em nada e em ninguém. E quanto se imaginava que a atuação da PF se encerasse nessas operações foi desencadeada, em dezembro de 2007, a Operação Taturana que resultou na prisão de várias pessoas, no indiciamento de tantas outras, no afastamento da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa e na suspensão do mandato de mais da metade dos deputados estaduais. Hoje, após três anos da primeira operação policial, os alagoanos já se aventuram a dizer que acreditam no trabalho da Polícia, da Justiça e do Ministério Público. Entretanto, chama-se a atenção para o fato de que apenas a prisão e a suspensão dos mandatos desses políticos não são suficientes para puni-los pela prática dos muitos e variados crimes que cometeram, no exercício do mandato que compraram com dinheiro de origem desconhecida. Pede-se, pois, pressa na conclusão desses inquéritos, no oferecimento da denúncia e no julgamento dos denunciados, aplicando-se a eles penas rigorosas que é o que o povo de Alagoas está esperando. (*) É jornalista.