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Opinião

Um tempo chamado saudade

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Para a Igreja, começará amanhã ao entardecer, com as primeiras vésperas do domingo, um novo Ano Litúrgico, aberto pelo tempo do Advento: quatro semanas que nos preparam para o santo Natal do Senhor. Nesse tempo, a Igreja se esforça para nos fazer entrar na grande espera de Israel e de toda a humanidade, na espera do coração humano. Primeiro, a espera de Israel. Todo o Antigo Testamento é uma grande promessa, uma espera de ?algo? que Deus havia prometido: a terra, a bênção, a felicidade, a paz duradoura, a fartura, a amizade da aliança eterna com o Senhor. Israel esperou, em meio a lágrimas, a desventuras terríveis, em meio ao silêncio a demora do Deus da história... Pouco a pouco, a esperança deixou de ser por ?algo? e passou a ser por ?Alguém? ? o Messias, que viria da parte de Deus, em quem iriam se realizar todas as esperanças e sonhos do povo eleito. Feliz o povo de Israel, que nas aflições e tristezas e derrotas de sua história, sabia olhar para o céu e reclamar e chorar e pedir e esperar o Messias-Salvador! Mas também a humanidade toda esperava. Esperava sem saber, mas esperava! Os pagãos experimentavam as dores da vida, as opressões angustiosas, a solidão que amedronta, a morte absurda... e também eles chamavam por seus deuses, procurando socorro, bênção e proteção! O coração deles procurava a paz, também eles sabiam olhar para o céu, mesmo que não soubessem direito o nome de quem estava sentado no trono eterno ? não foi olhando o céu que os magos pagãos viram uma estrela? Todos os povos tinham saudade de um Deus que os salvasse, que se fizesse próximo, como ternura, proteção... Também o mundo atual tem saudade de vida e plenitude, felicidade e paz. É esta saudade, esta sede, esta espera que se torna esperança, que a Igreja celebra no Advento. Tudo, neste tempo, fala da pobreza humana, da solidão do nosso coração, de uma humanidade que sozinha não se encontra, não se basta, não consegue ser feliz! O Advento é o tempo de celebrar a saudade do homem e a ternura de Deus que responde e se faz presença! Hoje o homem quer esquecer sua saudade, esquecer sua pobreza e finitude, brincando de ser deus, senhor de tudo. Coitadinho do mundo: tão medíocre, tão sem graça, tão entretido com coisas que não passam de fumaça e ilusão. Que a celebração desse tempo santo nos dê a graça de sentir sede e descobrir a chuva fininha que Deus derramou sobre Belém... a graça de sentir o frio da solidão e descobrir o Companheiro que nasceu para nós, da parte de Deus. A graça de sentir a fraqueza e descobrir o menino chocho e o homem de dores que nos faz fortes. (*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.

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