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Futuro no esgoto - Editorial

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Ajustamos o foco, mais uma vez, num tema tão recorrente quanto grave: a insuficiência do saneamento básico no Brasil. Retomanos também aos números colhidos por uma pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil com a Fundação Getúlio Vargas. Como os estudos nessa área são fartos em dados e abordagens, vamos aqui ressaltar a chocante realidade de nosso saneamento básico, que nos remete aos séculos passados. Os dados comprovam que a falta de saneamento básico é mais danosa para mulheres, gestantes e principalmente crianças. Essa carência continua sendo apontada como a principal causa da mortalidade infantil no País. Este é um problema antigo e que, com o passar do tempo, só tem se agravado. Os projetos voltados para esta área deveriam ser objetivos prioritários em todos os níveis de governo. Infelizmente, a maior parte de nossa população permanece vivendo ao mesmo nível das mais carentes do mundo, em termos de saneamento básico. Conforme revela esse estudo, o Brasil vive atualmente com índices de saneamento básicos semelhantes aos do século 17. Só este detalhe é suficiente para justificar qualquer tipo de iniciativa dos nossos administradores, desde o poder central, para reforçar os investimentos em infra-estrutura nesse campo. Repetindo dito recorrente, entre técnicos da área, sobre essa realidade: ?Estamos jogando no esgoto não tratado o futuro do nosso País?. O entendimento não poderia ser outro, diante da situação do Brasil, afetado, inclusive, por doenças consideradas já erradicadas quando os adultos de hoje faziam parte da população infantil. E temendo as conseqüências do descaso que resulta em alertas como o constante do trabalho elaborado pelo Trata Brasil e a FGV, de que mais da metade da população do País (53%) não tem saneamento básico.

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