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Os sapos e os amigos

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| Marcos Davi Melo * Em Brasília o governo já gastou meio bilhão de reais no convencimento dos parlamentares para aprovar a famigerada CPMF. Gastará muito mais se precisar. Em Buenos Aires vereadores dos quatro cantos do Brasil fizeram e fazem farra às custas do erário. Em Maceió entra-se para o serviço público sem concurso em esdrúxula pajelança na Câmara de Vereadores. Não existem limites para os gastos públicos que nós iremos pagar. Logo é preciso envolver o sapo com algum anestésico pra poder engoli-lo; daí a importância dos amigos é cada vez maior e chegando nesta época, começam as confraternizações. Hoje os companheiros estarão reunidos celebrando 26 anos de caminhadas às primeiras horas da manhã na orla da Pajuçara. Estarão além de compartilhando bons momentos entre pessoas que se gostam, convivendo em um ambiente fraterno e relaxante. Na residência de lazer do Mauro e Silvana Vasconcelos, situada às margens da lagoa, repleta de coqueiros e de passarinhos. De lá se pode ver a barra da lagoa e as ondas que a beijam na subida da maré, além do principal, a fidalguia calorosa do casal anfitrião. A turma vai tomar umas e outras, vai contar piada, fazer gozações, vai levar um teclado fuleiro e um cantor desafinado, apenas para em coral cantar algumas cavernosas bem bregas, tipo a ?Galeria do Amor?, sob a batuta irretocável dos irmãos Lira. Depois, lá pras tantas, já ao cair da tarde, quando o sol se põe e a lagoa fica ainda mais bela e prateada ? sob o comando do Ardel jucá ? emergirão os discursos de saudação e louvor aos presentes. Existe um acordo tácito e não reconhecido oficialmente de não se evocar os que já partiram. Afinal, aquele momento é para se celebrar a alegria, a euforia de estar vivo e com saúde. Os que partiram estarão presentes em nossas mentes e corações. Nesta época do ano eles surgem em nossa cabeça em flashbacks repetidos. Insistem em participar. Como se não quisessem ser esquecidos. Em momentos de extrema alegria, surge na memória a figura de Teobaldo Barbosa, de Zecagay, de outros companheiros que se foram. Mas não devemos sucumbir à saudade, devemos preservar a alegria a qualquer custo. Afinal, é mais um ano que chega ao fim e se estamos saudáveis, rodeados dos amigos e da família, o que podemos mais querer? Eu, pessoalmente daria tudo para estar lá, na beira da lagoa, saboreando a maresia, no aconchego dos amigos e não em São Paulo, rodeado de cimento e automóvel, onde o dever e o trabalho me obrigaram a estar. (*) É médico e professor da Uncisal.

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