Opinião
Morrer na v�spera - Editorial
Caiu como (mais um) soco no estômago dos alagoanos a divulgação, anteontem, do mais novo estudo sobre a expectativa de vida dos brasileiros. Em cada um dos dois principais indicadores da pesquisa (expectativa de vida e taxa de mortalidade infantil) nosso Estado registrou-se num imbatível último lugar. No quesito expectativa de vida, indicando a média de idade para a morte, os alagoanos deixam de serem viventes aos 66,3 anos. Enquanto isso, os brasilienses, campeões neste quesito, vivem até (em média) aos 75,1 anos. Quando a pesquisa lista a taxa de mortalidade infantil, os alagoanos ? aos quais é cassada a chance de viver logo nos primeiros momentos ? alcançam a cifra de 51,9 bebês mortos a cada mil nascidos. O campeão da sobrevivência infantil é o Rio Grande do Sul, onde a taxa indica 13,9 óbitos para cada mil nascidos. Terrível. Uma vergonha. Chama ainda mais a atenção da tragédia alagoana, a disparidade dos números, evidenciando um abismo de morte entre os primeiros e o último colocado. Na expectativa de vida, a grande diferença até parece menor ? se comparada com o item seguinte. Mas convenhamos que meia década somada ou subtraída ao fim da existência faz uma enorme diferença. Naturalmente estamos falando em médias numéricas, mas em termos de tempo de vida temos aqui um valor absoluto. Escandalosa é a comparação entre as taxas de mortalidade infantil gaúcha e alagoana, onde a proporção alcança incríveis 3,73. Ou seja, morrem quase quatro vezes mais crianças em Alagoas que no Rio Grande do Sul. O que fazer? Em primeiro lugar, devemos nos envergonhar, de forma verdadeira, deste escândalo, deste verdadeiro crime contra a vida. E redobrarmos as cobranças às autoridades para que essa realidade seja enfrentada de verdade.