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Ompetro

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| Jorge Briseno * Vou falar de petróleo. O amigo leitor pode estranhar, uma vez que geralmente uso este espaço para falar sobre água, saneamento e congêneres. Porém, insisto no dito acima: hoje, vou falar sobre petróleo. No entanto, vejam vocês, curiosamente o assunto diz respeito a saneamento. Perguntará o leitor: ?Que diabos tem a ver saneamento com petróleo?? Respondo: tudo. Inicialmente o título acima exige explicações. Ompetro vem a ser a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo e Gás. Isto mesmo, vocês ouviram bem. Finalmente temos a nossa Opep dentro da fronteira verde-amarela e sob este céu azul de anil. A Ompetro é integrada pelos dez municípios de cujas áreas são extraídos 85% do petróleo brasileiro. Esses municípios estão na Bacia Petrolífera de Campos, no Rio de Janeiro. E, vejam vocês, esta fartura toda já existia antes da descoberta, pela Petrobras, do megacampo de Tupi. Riqueza de deixar um príncipe saudita boquiaberto. Não, não exagero. Todos vocês viram o Hugo Chávez (com petróleo até os olhos) chamar ? morto de inveja ? o nosso Lula de ?novo magnata? do petróleo. Eis o fato: esses dez municípios ?produtores? de petróleo, com as receitas dos royalties, criam um estoque de riqueza que garante os investimentos em infra-estrutura e banca a sua manutenção. Agora vejamos, amigo leitor, como um desses municípios ? Rio das Ostras ? está utilizando essa dinheirama toda: criou um fundo com os royalties para garantir a arrecadação pela prestação dos serviços de saneamento de toda a cidade. De acordo com o contrato com a empresa privada que irá realizar a prestação do serviço, a tarifa será totalmente bancada pelo poder público. Resumo da ópera: a empresa privada não necessitará preocupar-se com a arrecadação que estará completamente assegurada, mesmo que um dilúvio ? ou tragédia semelhante ? desabe sobre Rio das Ostras. Alivia-se a empresa privada, sem pudor, dos maiores problemas hoje enfrentados no setor de saneamento básico: falta de pagamentos dos órgãos públicos, ligações clandestinas, furto de água com danos às tubulações, dificuldade de pagamento das camadas de baixo poder aquisitivo, entrega e cobrança de contas, ações de corte e religação de água, o escambau... Alguns denominarão de parceria com a iniciativa privada ? sem riscos para esta última ?, outros, mais esquentados gritarão: ?negócio de pai para filho?, ?esquema?, ?negócio da China?, etc. Fiquem à vontade, escolham o termo que quiserem. Até logo e saudações petrolíferas. (*) É engenheiro.

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