Opinião
Autoridade e cumplicidade
| José Medeiros * Existe um ditado, nem tão popular assim, que diz: pais estressados, filhos nervosos! Ajudando a compreender essa máxima moderna, uma pesquisa realizada em uma dezena de diferentes países pelo canal de TV Nickelodeon, revelou que as crianças brasileiras são as mais estressadas do mundo. Um outro resultado surpreendente dessa pesquisa mostra que as crianças brasileiras têm mais medo da violência e do terrorismo do que as crianças estadunidenses. Diante dos lamentáveis fatos ocorridos na sociedade norte-americana como o desastre das torres gêmeas e os assassinatos em escolas, que justificam o medo naquele país, como entender tal resultado? Será que pais brasileiros têm pressionado exageradamente os filhos, visando alcançar determinados objetivos que não conseguem por meio da imposição coerente de limites? Partindo dessa premissa, é notório que eles estão seguindo uma rota perigosa, ou seja, estão criando seres humanos inseguros e despreparados para a vida. Pode-se perguntar: você tem coragem de dizer o que pensa a seus filhos, mesmo quando ninguém pensa igual? Você é capaz de confessar um engano, ou um erro, reconhecendo que é o filho quem está certo? Muitas vezes, o comportamento dos pais está dominado por arquivos psicológicos do passado, resquícios recessivos de traumas decorrentes de uma educação autoritária recebida, que embora distantes, são fatores que influenciam o relacionamento com os filhos. Até que ponto nossas crianças são estressadas? Fatores externos (TV, principalmente) influenciam valores e comportamentos agressivos em crianças e adolescentes, sob alguns aspectos, arrasadores. As ?enxaquecas? do dia-a-dia fazem o resto. A sabedoria do bem viver concentra-se em saber entender as diferenças existentes, entre pais e filhos, e tentar construir pontes que unem em lugar de muralhas que separam. Quando você tem um filho, ele relê o mundo para você. Não é à toa que temos até um ?reality show?, ensinando a criar os filhos com os limites necessários. O programa ?Supernanny? conta com mais de 15 mil famílias inscritas, que tentam, por meio das orientações, ordenar as coisas em suas próprias casas. Nas palavras da pedagoga Cristina Polli, que encarna a superbabá no programa: ?houve uma época de muita permissividade na educação dos filhos que deixou essa geração de pais confusos?. Saber exercer autoridade com compreensão, cumplicidade e permanente diálogo é a chave do equilíbrio desejado. (*) É médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação.