Opinião
Lagarta de fogo - Editorial
Novamente, uma ação da Polícia Federal movimenta profundamente o cenário alagoano. Mais uma vez, fatos, dúvidas e boatos se misturam frente a opinião pública. Em relação à Operação Guabiru, quando a farta exibição dos detidos causou forte impacto, a Operação Taturana cuidou de preservar parte das ações e informações. É natural que muitas informações estejam sendo resguardadas como método de investigação. Daí muitas interrogações ainda estão a cata de respostas. Respostas indispensáveis, pois estão em jogo questões essenciais para Alagoas, como a suposta existência de um extenso e ramificado esquema de corrupção e assalto ao erário. Conforme definição da Polícia Federal, corroborada pela decisão judicial que possibilitou a deflagração da Operação Taturana, uma quadrilha estaria montada sobre o cofre de um dos três poderes constituídos do Estado. Essa não é uma acusação simples. A própria Assembléia Legislativa deve ser a principal interessada em que a investigação siga seu rumo e esclareça todas as questões colocadas, doa a quem doer. O que não pode acontecer é o espírito de corpo vir a crescer e confundir a defesa de reputações de colegas com a necessidade imperiosa de ser resgatada a reputação do Poder Legislativo alagoano. Boatos há muito vicejam e prosperam sobre supostas ocorrências na Assembléia Legislativa alagoana. Boatos muitas vezes lançados e alimentados com objetivos escusos e eleitoreiros. Boatos, alguns, que agora parecem se apresentar como fatos. Levar adiante a investigação deve ser o objeto de cobrança dos alagoanos. Que a Polícia Federal tenha todas as condições de continuar seu trabalho, que a Justiça seja célere e dê seqüência a todas as etapas constitutivas dos processos em tela. Uma lição, porém, é-nos apresentada: ninguém está, de fato, acima da Lei.