Opinião
Nossos m�rtires
| Dom Edvaldo G. Amaral * Quatro novos beatos do Brasil! Finalmente os nossos santos estão aparecendo e sendo propostos pela Igreja para nosso modelo e intercessão. Após a canonização de nosso 1º santo, nascido no Brasil, frei Antônio Galvão, canonizado por Bento 16 em maio último em São Paulo, tivemos agora 4 novos bem-aventurados. A primeira foi a jovem Albertina Berkenbrock (1919-1931), mártir da pureza aos 12 anos de idade. É descrita pelas testemunhas como menina bondosa, sacrificada, ativa nos trabalhos de casa e paciente. De profunda piedade eucarística, apesar de seus poucos anos, alcançou alto grau de maturidade espiritual. No dia 5 de junho de 1931, enquanto, por ordem do pai, procurava um boi que se desgarrara, apareceu um vizinho, Maneco, que já matara uma pessoa. Como seu conhecido, ofereceu-se para ajudá-la a encontrar o bovino. Indicou-lhe um bosque próximo dali, onde dizia ter visto o animal. Chegando ao bosque, Maneco começou a agarrar Albertina, tentando deitar-se sobre ela. A jovem, percebendo sua intenção, resistiu desesperadamente até que o homem, vendo que não conseguia seus intentos, sacou de um canivete grande e cortou o pescoço da mártir, que teve morte imediata. O assassino, hipocritamente, participou do velório e várias testemunhas notaram estranho fenômeno: cada vez que ele se aproximava do caixão da virgem, a grande ferida do pescoço começava a sangrar. O padre Manuel Gonzalez (espanhol) com seu coroinha, de 15 anos, Adílio Daronch (catarinense), foram martirizados a 21 de maio de 1924 em Nonoai, SC, por um grupo de revolucionários, inimigos da Igreja e em ódio à fé cristã. Albertina foi proclamada beata no sábado, 20 de outubro, em Tubarão, SC, e padre Gonzalez com o jovem Daronch no dia seguinte, domingo, 21, em Frederico Westphalen. Os três pelo cardeal Saraiva Martins, em nome do papa. E para encerrar o ano, domingo passado, tivemos em Salvador a beatificação da irmã Lindalva Justo, das irmãs da Caridade de São Vicente. Nascida no Rio Grande do Norte, fez o postulantado em Nazaré da Mata (PE). Sua história é também dramática. Enviada a Salvador para o Abrigo Pedro II para idosos, lá trabalhava com zelo e dedicação com os abrigados, entre os quais se encontrava Augusto Peixoto, um alagoano (infelizmente...). Augusto, interpretando equivocadamente a dedicação da irmã Lindalva, apaixonou-se por ela. Na 6ª feira santa de 1993, veio o trágico desfecho. A santa irmã resistiu aos seus convites e ele a assassinou com 44 facadas. (*) É arcebispo emérito de Maceió.