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CPMF: a grande vil�? - Editorial

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No Brasil, como sempre, o debate político tende a ter pouca profundidade. Temas essenciais são comumente abordados de forma rasteira, usualmente tangidos pelos ventos ligeiros dos interesses de ocasião. Este é o caso da votação da CPMF (0,38%). De uma hora para outra, o chamado ?imposto do cheque? assume os ares do centro da questão tributária. Na verdade, a tal ?contribuição?, originalmente concebida como provisória e destinada à saúde é apenas um dentre cerca de meia centena de tributos que são cobrados aos brasileiros. Em sua grande maioria esse gigantesco volume de tributos espalha-se e oculta-se sob os preços dos produtos, nublando a compreensão da população sobre a brutalidade da política tributária brasileira. Poder-se-ia imaginar que a votação da CPMF seria uma ótima oportunidade para ampliar o debate sobre este ponto e que na construção dos acordos entre as facções político-partidárias tivesse destaque, na pauta dos entendimentos, uma verdadeira reforma tributária. Qual o que! O debate passa longe disso. Nem oposição nem situação demonstram interesse nessa pauta cidadã. A CPMF reduziu-se a mera quebra de braço entre aliados e opositores do governo. Se for mantida, ou se for recusada, pouco representa face a massa de tributos impingida aos brasileiros, afinal (só para citar um exemplo) apenas nos produtos natalinos os tributos incorporados representam cerca de 50% do preço ao consumidor. Só para seguir no exemplo natalino, segundo estudos de especialistas, em alguns segmentos como vinhos e espumantes importados a parcela correspondente aos tributos abocanha algo como 51,92%! O popular panetone (nacional) incorpora 30,96%. Não seria um bom presente de Natal esticar a discussão da CPMF até a reforma tributária?

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