Opinião
E assim se passaram os anos...
| José Medeiros * Faz-se economia de muita coisa, mas não de pensamentos. No caso em apreço, os pensamentos concentram recordações que retornam no tempo, a uma fase da vida bem distante. Custa-me acreditar, pela rapidez da passagem do tempo, que faz 50 anos que a segunda turma da Faculdade de Medicina de Alagoas colou o grau que lhe permitiria praticar e ensinar medicina. Fui participante desse acontecimento memorável. Éramos 14 os formandos, em 1957. Espíritos idealistas, diligentes na ação, sonhos e realidades entremeados. Um mundo de esperanças desfolhava-se a nossos pés. Esperávamos poder utilizar os conhecimentos adquiridos para servir a nossos semelhantes. E assim se passaram os anos... No próximo dia 14 de dezembro, relembraremos um pouco daquela formatura. Impossível repetir todas as solenidades realizadas à época. Fixamo-nos, então, na idéia da celebração de uma missa gratulatória, que à época de nossa formatura, foi celebrada pelo padre Medeiros Neto (já falecido), na capela da Santa Casa de Misericórdia. Agora, dom Fernando Iório será o celebrante dessa liturgia eucarística, num momento de agradecimentos ao Criador. Para que isso se tornasse realidade, contamos com o integral apoio do dr. Humberto Gomes, dinâmico provedor da Santa Casa de Misericórdia. Aliás, muito devemos a essa instituição hospitalar. Foi o nosso celeiro de aprendizagem e, posteriormente, campo de atuação para a maioria dos formandos. Se a vida nos trouxe a experiência, a experiência nos deu a vida. Cada um de nós seguiu caminhos diferentes, sempre convivendo com problemas e dores que afligiam a quem nos procuravam, desempenhando nossa nobre missão de salvar vidas e minorar sofrimentos. Permita-me, leitor, repetir os nomes dos 14 médicos formados em 1957: Dirceu Falcão, Dílson Medeiros, Eduardo Jorge Silva, Gisélia Campos, Gustavo Guimarães, Hélio Oliveira, Isse Lordsleem, Jorge Cabus, José Carlos Nobre, José Trigueiros, José Luiz Jardim Pedrosa, José Medeiros, José Otávio Moreira Filho e Valéria Hora. Nosso paraninfo foi o ilustre professor dr. Ib Gatto Falcão. Tive a honra de ser o orador dessa turma, cuja amizade perdura ao longo do tempo. Cinco de nossos colegas já passaram para a eternidade. Tristeza que a exigüidade da vida humana nos traz; mágoa que continua presente em nossas memórias e em nossas recordações; são presenças de ausências sentidas. Vale repetir: ?O verdadeiro túmulo dos mortos é o coração dos vivos?. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.