Opinião
Civismo � atitude moral
| Anilda Leão * O procedimento honesto de qualquer verdadeiro patriota consiste não só no cumprimento do dever que a lei impõe e a sociedade exige, como também em prestigiar a nação e concorrer para a plena harmonia social. O pensamento é de Coelho Neto, mas meu também ? e de qualquer cidadão que ame verdadeiramente a sua terra. Falamos aqui de civismo, porém sabemos que muita gente que se diz patriota e ama a pátria, o que mais quer mesmo é viver às suas custas. Os nossos políticos, com raras exceções, vivem dando esse exemplo nada edificante às novas gerações. No momento deplorável que estamos vivendo, esses homens escolhidos para nos representar, fecham os olhos para a miséria que nos cerca e apenas pensam no que podem auferir de benesses para si mesmos e para o seu bem-estar. Aqui mesmo, legislatura após legislatura, vivemos esse quadro mesquinho nos nossos legislativos municipais e estadual, mas os demais poderes também têm contribuído para a perpetuação dessas injustiças. Campeões nos mais degradantes indicadores sociais, os homens se alternam no poder sem que os problemas mais sérios sejam sequer ligeiramente arranhados. Já houve até governador que quis brigar com o IBGE quando os números oficiais vieram desmascarar o vazio das suas propaladas políticas sociais. E quanta decepção nos últimos anos! Mesmo aqueles em que tínhamos esperança, até por uma certa afinidade ideológica, mostraram-se incapazes de manter a coerência e acabaram por confundir-se com o que de pior existe em matéria de política em nosso sofrido Estado. Não foram em nada diferentes dos antecessores, incorporando-se assim às fileiras das chamadas ?forças do atraso?, tão citadas a cada eleição. Enquanto mais uma operação da Polícia Federal acontece diante dos olhos estarrecidos dos alagoanos, ficamos a pensar que apenas uma força é capaz de deter a apropriação dos nossos suados impostos por uma minoria acostumada à rapinagem que se encastelou nas várias instâncias do poder. E essa força é a nossa mesmo, a do voto consciente, a do voto não comprado, exercido de acordo com a nossa consciência. Mas enquanto o povo não tiver condições de separar o joio do trigo, que venham outras e outras operações policiais. Que os maus políticos sejam expostos aos olhos do público, devidamente algemados, como se faz com os ladrões de galinhas, e punidos exemplarmente. Quem sabe assim eles criem vergonha na cara. Ou nós, pelo menos. (*) É escritora.