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Li��es do Oriente

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RONALD MENDONÇA * Apesar do clima de guerra, a Copa do Mundo chega ao fim nesse domingo sem notícias de atos terroristas ou coisas parecidas. Pratos cheios para essa turma que joga pesado, as competições esportivas de vulto - desde o atentado aos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique - estão sendo preparadas com rigor que beira a paranóia. Fazer o quê, quando se lida com gente que literalmente se veste de bomba com a vontade inarredável de visitar Alá mais cedo, de preferência acompanhada? Se pelas medidas preventivas ou por simples idiossincrasias dos agentes do terror, a verdade é que o campeonato não registrou nem mesmo o conhecido vandalismo das torcidas européias, a maioria remetida de volta pra casa mais cedo. As bombas ficaram mesmo no campo esportivo com as desclassificações de equipes consagradas como as da França, Itália, Argentina e a do nosso pequenino e valente Portugal que chegou com uma banca danada e acabou de forma melancólica, num jogo truncado que mais parecia uma disputa de kung-fu. Lambendo quase a perfeição, esteve a oriental Coréia do Sul, ?correndo mais do que a bola?, na expressão do folclórico Dadá Maravilha, superando suas limitações com bravura e disciplina tática. Empurrada pela torcida, não convém esquecer, contudo, que a anfitriã teve a pressurosa mãozinha da arbitragem. Contra a Espanha, então, a coisa foi vergonhosa. Notável demonstração de equilíbrio oriental foi a ruidosa comemoração que a torcida da Coréia (evidentemente frustrada) promoveu após a derrota para a Alemanha. Pra que tristeza depois de um desempenho tão bonito? Conhecidos pela frieza proverbial, os orientais têm passado quinau em vibração e entusiasmo no sisudo supervisor Antonio Lopes, flagrado, em plena partida contra a acochada Turquia, em largo e insólito bocejo. Falando de lições, a China, que ainda tem muito o que aprender de futebol, dá uma demonstração para os tímidos, os frouxos etcaterva, sobretudo nacionais, de como se lida comtraficantes e quejandos. Para horror da ?asséptica? ONU, a pátria de Confúcio comemorou o recente dia mundial de combate ao tráfico despachando para as profundezas, com humanitário tiro na nuca, 64 chefes do tráfico, ao mesmo tempo em que condenou à prisão perpétua, pelo mesmo delito, centenas da chamada ?raia? miúda. Apesar da sombria perspectiva de insurreição que ronda o Rio de Janeiro e o restante do País, nessa final de Copa parece que ainda estaremos sob o Estado de Direito. Instalado o iminente ?Estado Paralelo?, adesistas e conselheiros em geral brevemente estarão proclamando, à guisa de ajuda: ?Pessoal, o Brasil perdendo ou ganhando, cheire, fume ou tome pico com moderação?. E rumo ao muro de Berlim! (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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