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45 anos de medicina

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| Milton Hênio * Ontem completei 45 anos no exercício diário da medicina. Era o dia 15 de dezembro de 1962. Eu tinha 25 anos. Éramos 13 os formandos de nossa UFAL. Uma noite de grande felicidade ? o dia em que eu realizava o grande sonho da minha vida ? ser médico. Meu pai já bem doente ao lado de minha querida mãe, foram me conduzindo com uma alegria incontida, para eu receber o meu diploma de médico. Momento precioso da minha vida. Miguel Couto, um dos grandes médicos clínicos brasileiros costumava dizer: ?O diploma confere um título mas não faz o médico?. É preciso ter vocação para ser feliz na medicina. Minha turma era realmente de médicos vocacionados. O tempo foi passando e foi mostrando isso com as atividades de cada um em suas especialidades, espalhados pelo Brasil. Quatro ficaram comigo em Maceió e dois, José Cândido e Nhemias Alencar, partiram precocemente para a eternidade. 45 anos de formado. A estrada foi longa e continuo com entusiasmo a caminhada. Vi camas, gemidos, choros, paredes de enfermarias, porém, vi também o sorriso de crianças voltando à vida; senti com alegria o abraço afetivo de milhares de crianças que encantaram o meu viver durante todos esses anos. O caminho percorrido foi longo, porém os obstáculos foram vencidos pela sensibilidade que graças a Deus possuo para compreender a alma humana. Esta sensibilidade decorre da criança e do adolescente feliz que fui, vivendo lá no Parque Gonçalves Lêdo dias de absoluta paz. Como as coisas mudaram nesses 45 anos! Maceió possuía apenas 60 mil habitantes. Quase todo mundo se conhecia e minha turma, por ser pequena, tinha chance de ter uma intensa participação médica nos hospitais de Maceió, orientados pelos grandes mestres que nos mostravam com sabedoria como exercer a arte de Hipocrates. Na pessoa do meu estimado professor Ib Gatto Falcão, homenageio todos eles, relíquias do meu passado e que nos mostraram como conviver com os que sofrem. Naquele tempo todos eram bem atendidos, do pobre ao rico. Havia a figura do indigente, onde na Santa Casa de Misericórdia, ficavam hospitalizados e muito bem tratados. Depois surgiu a Previdência Social, o INAMPS e o SUS ? e aí começou a loucura total na vida do médico e da população, que persiste até hoje. Que Deus me ajude a continuar a minha luta. Com a alma em júbilo e ao lado de minha linda família, quero manter a chama daquela noite de 15 de dezembro de 1962. Parodiando o grande Ruy Barbosa eu diria: ?Bendita seja, Senhor, a mão que tantas graças em mim tem derramado?. (*) É médico. ([email protected])

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