Opinião
Gostaria de ser o que quero ser
| Dom Fernando Iório * Gostaria de ser diferente, procurando ser o que desejo ser, mas não sei o que fazer, afirmam inúmeras pessoas. Existe na psicologia uma lei que se formula assim: se alguém formar na própria mente a imagem de como desejaria ser e conseguir conservá-la por muito tempo, ela, de logo, se transformará naquilo de que gostaria. Não deixa de ser esse um dos maiores segredos para nos tornarmos no tipo de pessoa que desejamos ser. Pensamos que para iniciar determinada ação é necessário um estímulo interior que nos impulsione a agir. Mas, na realidade as coisas não são bem assim. Se já se tem, hoje, conhecimento de que, começando a agir, o sentimento surge como conseqüência. Se observarmos bem o mundo dos passeriformes, veremos que o passarinho não canta porque é feliz, mas é feliz porque canta. Portanto, mesmo sem motivação, o importante é agir. Quer dizer ? nós nos devemos comportar, como gostaríamos de ser e, de certo, a motivação acontecerá. Ainda: quando estamos de mau humor e começamos a agir de modo feliz, de logo nos sentimos mais felizes, porque o comportamento modifica o sentimento e o sentimento aperfeiçoa o pensamento. Desse modo, as coisas se transformam fora e dentro de nós. Esse processo de formação de uma imagem mental é definido como visualização e, conforme William James, é a maior descoberta dos últimos cem anos no campo do desenvolvimento humano. Com efeito, nós pensamos, através de imagens mentais, da mesma maneira sonhamos. As palavras são símbolos que nos permitem comunicar ou descrever essas imagens. William James exorta-nos a controlar esse processo de figuração para que possamos ser livres. Se aprendermos a manter uma imagem positiva na mente, sem permitir a pessoa alguma enfraquecê-la, então ser-nos-á possível transformar, efetivamente, essa imagem em realidade. De certa maneira, atribui-se a infelicidade pessoal a fatores externos: à má sorte, ao acaso, às circunstâncias, à economia, à genética, à própria história familiar. E elaboramos uma lamuriosa ladainha de desculpas, que outra coisa não fazem senão justificar aqueles erros que causaram os nossos próprios fracassos. Entretanto, cada um de nós pode se tornar o grande responsável pela própria existência e de tudo quanto se manifesta em nossa vida. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.