Opinião
Entre a emo��o e a raz�o
| José Medeiros * Quando pensamos em razão versus emoção, sempre somos levados a compreendê-las como coisas contrárias. Aliás, alguns chegam a afirmar que a emoção é uma criança, que passa o tempo todo brincando e se divertindo sem preocupar-se com nada; enquanto a razão é um adulto, que trabalha o tempo todo seguindo regras sociais estabelecidas e, ainda, resta-lhe tempo para observar a criança. Nesta crônica proponho uma reflexão diferente, em que razão e emoção sejam complementares e não antagônicas. Para isso, trago uma historieta que pode embasar essa linha de raciocínio. Diz a lenda que quando Deus criou, ainda no céu, as almas gêmeas, elas não faziam a menor idéia de sua forte empatia. Certa vez, enquanto aguardava na fila dos talentos para receber o dom da razão, uma alma sentiu um profundo amor por outra que aguardava, em outra fila, o dom da emoção. Antes de mudar de fila para aproximar-se daquela que lhe roubara a atenção, resolveu perguntar a Deus se cometia algum pecado em abrir mão do dom da razão e optar pelo da emoção, tendo em vista seus sentimentos por outra alma. Deus respondeu-lhe que não havia nada de errado em optar por outro dom, porém, duas almas para serem de fato gêmeas precisavam complementar-se, ou seja, uma com a razão e a outra com a emoção. Não precisa ir muito longe e os exemplos da dicotomia razão e emoção emergem em nossas lembranças, como nos casos de pessoas que lutam contra a dúvida em seguir a carreira dos seus sonhos ou a carreira que lhe permite uma estabilidade financeira; ou daqueles que têm emprego com chefes opressores, e, mesmo aparecendo uma oportunidade bem melhor, relutam em aceitá-la por receio de mudança. Como bem mostra a lenda das almas gêmeas, não é necessário antagonismos, pois razão e emoção existem para serem complementares. Devemos exercitar a gratidão de termos dons preciosos que servem como uma espécie de ?sistema de navegação?, que orienta os caminhos a serem seguidos. Somos criaturas especiais do universo e contamos com todos os talentos que nos permitem ser felizes. Um dia feliz vale por uma semana, um mês, um ano. Dias felizes são razões de uma vida. Momentos felizes merecem ser guardados no baú das melhores recordações. Uma coisa parece certa, entre razão e emoção o que importa é que realmente valha a pena. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.