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Os c�ticos otimistas

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| Jorge Briseno * Outro dia, sem ter porquê, acordei às quatro da madrugada. Fato raro. Costumo ter um sono mais pesado do que cinco elefantes. Isto, porém, é irrelevante. O importante é que, imediatamente ao acordar, vejam vocês, fui sobressaltado com um pensamento: o aquecimento planetário. Por que tal fato me ocorreu não me pergunte o leitor, pois não saberei explicar. Retifico. Talvez possa justificar esse atordoado despertar pela exposição que o fenômeno tem na mídia. A televisão explode na nossa cara, todo santo dia, o tema aquecimento. Não se passa uma semana sem que os jornais e as revistas explorem o assunto. O sujeito abre o jornal e está lá estampado, em letras garrafais: ?As geleiras estão derretendo?; folheia uma revista ? qualquer uma ? e está lá registrado: ?Os ursos polares vão desaparecer?. Nem indo ao cinema o sujeito escapa. Outra noite estava eu no cine Sesi quando me deparei com uma amiga arquiteta. Ela, com a seriedade de um cantor de ópera, fez uma afirmação que me deixou embasbacado, atônito: o dia não tem mais vinte e quatro horas, e sim ? vejam vocês se ela não está certa ? apenas dezesseis horas. E explicou: ?A Terra inclinou-se sobre seu próprio eixo e, por causa dessa inclinação a marcação do tempo enlouqueceu?. Ora, está explicado por que não temos mais tempo para nada e vivemos nessa afobação e correria toda. Tudo o que era feito em vinte e quatro horas ? amar, trabalhar, comer, falar com parentes e amigos, dormir, etc. ? tem agora que ser realizado, meio às pressas, em diminutas dezesseis horas. E a amiga, achando pouco, ainda disparou: ?A temperatura média da Terra está aumentando?. Afirmou isto de maneira concreta, sólida como um monolito. E, assombrada, disse que não sabia como tinha gente que não acreditava em tal fato. Pois tem, cara amiga. E devemos dar graças por essas pessoas existirem. Elas se denominam de ?ambientalistas céticos?. Uma delas está bem perto de nós. Trata-se do doce e simpaticíssimo professor Molion, que não concorda ? mesmo colocado sob tortura ? com alguns argumentos dos cientistas que integram o Painel Intergovernamental para Mudança Climática. E, nessa altura dos acontecimentos, sou capaz de subir em uma mesa e berrar a plenos pulmões: Deus abençoe os céticos! Os céticos são imprescindíveis! Nunca os céticos foram tão necessários, tão fundamentais na sua incredulidade e no seu pessimismo com relação ao aquecimento planetário. Não sei se vocês me entendem. Eles, porém, com seu ceticismo, nos trazem um refrescante otimismo. Um providencial refrigério. (*) É engenheiro.

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