Opinião
Dois momentos da Fran�a
| José Maurício Brêda * Rod Phiillips em Uma Breve História do Vinho, que em suas 462 páginas nada tem de breve, relata-nos toda a história daquela que é a bebida alcoólica mais antiga de que se tem conhecimento. Logo na introdução, traz um fato inusitado. A visita de Estado do presidente do Irã à França, em 1999, teve que ser mudada para visita oficial, uma vez que o presidente iraniano, invocando a lei islâmica, anunciou que não só não beberia vinho como também não se sentaria à mesa onde fosse servida qualquer bebida alcoólica. Contrapondo, o governo francês afirmou que um jantar daquela magnitude, sem seu vinho, seria impensável. Cancelado o jantar, e como é exigência do protocolo que, em uma visita de Estado, este seja servido, foi rebaixada para visita oficial. Justifica-se, pois sendo o espírito da França, tesouro, símbolo ou como o que mais se queira denominar, o vinho é, para o francês, além de tudo isso, a própria França. ?Bons tintos e brancos na mesa de um banquete representam a nação tanto quanto as cores vermelha, branca e azul de sua bandeira.? O casal Don e Petie Kladstrup, em Vinho e Guerra, mostra a luta travada pela resistência, durante a ocupação nazista, em favor de seu maior patrimônio. Claude Terraill, proprietário da mais famosa casa gastronômica de Paris, La Tour d?Argent, disse que ?ser francês significa lutar por seu país e pelo seu vinho?. Neste mesmo restaurante, foi erguida uma parede para ocultar vinte mil de suas garrafas mais preciosas. Mesmo não sendo adepto do álcool, Hitler além de subtrair, durante a ocupação, obras de arte, sabia do valor dos vinhos das regiões de Bordeaux, da Borgonha, da Champagne, da Alsácia e do Vale do Loire. Em seu retiro e esconderijo, Ninho da Águia, nos Alpes austríacos, foram encontradas garrafas das mais valiosas safras destas regiões. No contexto atual, como se já não bastasse a ?nomeação? do aprendiz de ditador Hugo Chaves ? meu mano Carlos, diz que o Chaves não quer ditadura, mas ?fechadura? ? como intermediário junto as Farcs, são os jornais que nos trazem, mesmo já sendo em outro século, mas apenas oito anos após, outro momento francês no mínimo incoerente. Seu governo recebe e permite que o terrorista aposentado, Muammar Kadafi, presidente perpétuo da Líbia, mesmo tendo perpetrado a morte de mais de uma centena de cidadãos franceses em atentado terrorista aéreo, refestele-se, armando sua gigantesca tenda nos jardins palacianos parisienses, pela simples promessa de acordos comerciais que, talvez, poderão lhe render ganhos de alguns bilhões de euros. (*) É bacharel em Economia.