Opinião
Realidade perversa - Editorial
O Ministério da Educação acaba de comemorar o crescimento no número de matrículas em cursos superiores. Mas, ao mesmo tempo, temos a constatação de uma realidade perversa no País. Esta é revelada através de uma pesquisa produzida pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e indica que 53,1% dos nossos jovens de 15 a 24 anos estão fora da sala de aula. E mais: o Brasil tem 35 milhões de habitantes nessa faixa etária e 19,9% desse mesmo segmento da população brasileira, não trabalham e nem estudam. Também sabemos, com a divulgação dos resultados do mesmo estudo, que o analfabetismo juvenil tende a desaparecer a curto prazo, pois em 1993 a taxa de jovens analfabetos era de 8,2%, teve quedas sucessivas e em 2006 já era de 2,4% . Todavia, não podemos deixar de destacar, na relação dos dados lastimáveis desse levantamento, o fato de que em 12 Estados das regiões Norte e Nordeste, os jovens não conseguem terminar nem o ensino fundamental. E, ainda, entre outros dados negativos, a classificação de Alagoas como pior Estado do País em educação e renda e, conseqüentemente, para a juventude. Infelizmente, não são poucos os gestores da coisa pública que se esforçam, que lutam, para assegurar os necessários investimentos em prol da juventude. As eleições do próximo ano, portanto, devem ser consideradas como uma das oportunidades imperdíveis de o povo brasileiro, sobretudo, o alagoano, exigir de seus candidatos o compromisso de promover políticas de melhorias do acesso e da qualidade do ensino e das oportunidades de emprego. Sem esquecer outras áreas e serviços. A começar por ações de conscientização e combate, com empenho redobrado, contra todas as formas de abusos com o dinheiro público.