Opinião
No ciclo natalino - Editorial
Iniciamos ontem o período de ouro das festas de dezembro, tempo compreendido entre o Natal e o ano-novo. Tema recorrente aqui neste espaço, não podemos deixar de retornar ao ponto, em função da timidez dos órgãos públicos e da iniciativa privada, atuantes nos segmentos do entretenimento, do turismo e da cultura. A bem da verdade, ressalve-se que os órgãos públicos voltados para a cultura (no governo do Estado e na Prefeitura de Maceió) têm se esforçado para vencer essa timidez geral. Graças a estes guerreiros solitários as festas natalinas não são um fracasso total. Mas as comemorações desta época de ouro da tradição festeira nordestina (e particularmente alagoana) estão longe de corresponderem a seu real potencial. Basta observar a corrida pelos ingressos às festas de réveillon e/ou prestar atenção às multidões que se espalham pela orla em busca da confraternização coletiva pela passagem do ano. Olhando mais atentamente, ver-se-á que os estoques de bebidas escasseiam neste período, que as casas ? das mais abonadas até as mais humildes ? se iluminam e se enchem de gente especialmente na ceia de Natal e na virada de ano. Assim, certamente, acontece em boa parte do mundo. No Nordeste, porém, o ciclo natalino continua a exibir uma enorme força, expressa na excepcional movimentação da população e no fluxo do público aos locais onde sejam apresentadas atrações típicas da época. Porém, as atrações típicas dessa época, nestes anos, têm sido acanhadas e restritas a promoções de cunho cultural quase saudosista; tímidos eventos, enfim. Quanto poderíamos fazer se unissem forças os poderes públicos e a iniciativa privada para alavancar esse potencial! Quem sabe, no ano que vem, poderemos aqui saudar o despertar entusiasmado desta força viva do espírito alagoano.