Opinião
30 anos sem Chaplin
| Dayana Coelho de Mello * ?[...] não passo pela vida e você também não deveria passar. Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante?. Charles Chaplin. Numa fria madrugada, 25 de dezembro, na distante Vevey, Suíça, adormecia para a eternidade um dos maiores gênios do século 20, sir Charles Chaplin, nascido a 16 de Abril de 1889, no subúrbio de Londres. Era o ano de 1977. Naquele instante, reluzia uma aurora aparentemente como a de todos os anos ? a espera do menino Jesus para os que criam. Sim, Chaplin o esperava! Naquele momento, mais do que nunca, aguardava, de forma serena, o Cristo que vinha para levá-lo consigo, tornando real um desejo em que, outrora criança, queria morrer a fim de encontrá-lo ? Jesus, ?[...] a mais pura luz do mundo [...]?. Contudo, foi preciso ele viver muito e cumprir sua tarefa de ser o reflexo do amor e da humanidade, tudo isso por meio da sua arte cômica e atrapalhada, na qual é marcante a figura do vagabundo, o ?tramp?. Carlitos fora imortalizado nas diversas identidades que o vagabundo adotara ? de comerciante a dentista, de simples gari a garçom, de mendigo a soldado raso ? representando todas as faces humildes e esquecidas, de maneira a lhes oferecer um lugar para que elas fossem realmente vistas e compreendidas. Chaplin sempre arranjara, em seus filmes, um jeito de satirizar quaisquer injustiças sociais, violência e abuso ao trabalhador sofrido. Em O Grande Ditador (1940), no último discurso, dizia ele que precisamos muito mais de humanidade do que de máquinas. De fato, o mundo necessita de heróis como Carlitos que através do humor aflorou-nos o mais profundo ato de sensibilidade. Por trás da alegria de Carlitos havia, sim, uma tristeza da qual ele constantemente era vítima: comédia e tragédia o acompanhavam, fazendo-nos rir, mas também chorar. Com uma trajetória cômica e melodramática de vida, essa personagem, criada pela maestria de Chaplin, destacava-se por seu ?coração de manteiga?, sempre disposto a ajudar onde quer que fosse e em qualquer situação. Sem nenhum bem material, a não ser, a sua bengala de bambu e seu chapéu. Ele sabia superar todas as atrocidades que surgiam, a seu modo engraçado. Sem dúvida, Charles Chaplin desabafara todos os seus sentimentos nos filmes, portanto deve ser lembrado por seu intenso desejo de amar e de ser amado, por sua genialidade, sua graça, sua arte, seus sonhos, sua vida! (*) É estudante de jornalismo na Ufal.