Opinião
Parte da solu��o
| Geoberto Espírito Santo * A descoberta de Tupi foi muito importante, mas vamos posicionar as frases de efeito em seus devidos lugares. As reservas prováveis estão numa profundidade de 7.000 km e precisam ser transformadas em reservas provadas. Existe uma camada de sal de espessura de 2.000 km que precisa ser vencida com alta tecnologia e custos muito altos. A extração só chegará até nós depois de 6 anos e se o preço do petróleo for superior a US$ 100 o barril. Energeticamente, temos tudo para estar muito bem no futuro, mas devemos reconhecer que no curto prazo temos uma crise energética que precisa ser resolvida. A questão é se temos uma crise no sistema elétrico por causa do gás natural ou se temos uma crise de gás natural por causa do sistema elétrico. Com apenas 30% do seu potencial aproveitado no Brasil, as hidrelétricas ainda serão por muito tempo a principal, a mais barata e menos poluente fonte de energia elétrica. Mas a construção das usinas no Rio Madeira demorará no mínimo 6 anos para entrar em operação. Para Angra 3 o argumento é o mesmo. As fontes alternativas são bastante promissoras, mas precisam de planejamento. O bagaço de cana só funciona numa safra de 6 meses. A eólica custa caro e só funcionam 25% do tempo. A solar tem um potencial imenso, mas atualmente só é viável para pequenas aplicações, tratando-se de uma resposta insuficiente para o curto prazo. Para o gás natural o cobertor é curto. Não temos volume para todos os usos: industrial, comercial, residencial, veicular e termelétrica. Com os reservatórios acima da Curva de Aversão ao Risco (CAR) a sobra é de 3 milhões de m³/dia. Se os reservatórios baixarem e todas as termelétricas tiverem que operar, o déficit será de 17 milhões de m³/dia. Para não faltar eletricidade, a Petrobrás firmou compromisso com a Aneel para fornecer gás para as térmicas. As distribuidoras, a quem compete constitucionalmente a definição de para onde vai o gás, dizem que nas suas prioridades não está o fornecimento para as termelétricas. Tenho feito observações com a certeza de que o consumidor deve ser transparentemente informado sobre a questão energética, ainda porque ele é uma parte muito importante nas possíveis soluções para o equacionamento do problema, como já vimos no racionamento de 2001. Até 2010 teremos uma estreita relação entre a oferta e a demanda que precisa ser coordenada com a participação de todos os agentes para que não haja escassez de algum energético. E quem paga a conta das decisões que forem tomadas? (*) É professor da Ufal.