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Holocausto na pista - Editorial

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Pelos números divulgados ontem, pela Polícia Rodoviária Federal, registrou-se um trágico aumento no número de acidentes fatais nas rodovias brasileiras durante o feriadão do Natal. Uma chocante realidade que parece não sensibilizar as autoridades competentes. Tema recorrente, mas que merece ser revisitado freqüentemente, pois vidas e vidas são sacrificadas, continuadamente, aos deuses da incúria, do descaso e da malversação que guiam a (in)ação dos (ir)responsáveis pelo sistema viário brasileiro. Vivemos uma tragédia cotidiana: trafegar nas rodovias do Brasil. Os números são estarrecedores, reafirmando que a morte trafega a toda velocidade, sem encontrar obstáculos. Nos chamados ?feriadões?, quando, em decorrência de comemorações, o aumento de fluxo e a diminuição dos reflexos (e da responsabilidade) dos motoristas provocam ? apenas ? um natural aumento dessa tragédia diária. No fim das contas, a média mortal mantem-se sangrenta, em torno de 24 mil óbitos por ano. Ou 1 (uma) morte a cada 40 minutos, e/ou 411 pessoas feridas por dia em acidentes nas estradas, e/ou 17 feridos por hora em acidentes nas estradas. Segundo estudos do SOS Estradas, ?caso todas as vítimas de acidentes fossem colocadas deitadas no asfalto, teríamos praticamente uma pessoa por quilômetro de rodovia pavimentada, sendo um ferido a cada 1.100 metros e um morto a cada sete quilômetros?. Infelizmente, parece que essa realidade dantesca piora a cada ano, pois neste Natal a estatística da PRF aponta um crescimento de 50% no número de mortes em relação ao ano passado. Segurança nas estradas tem que ser entendida como objetivo estratégico para o Brasil, como política permanente em defesa das condições adequadas de escoamento de riquezas e especialmente, em defesa da vida.

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