Opinião
A sereia de todos n�s
| Vinícius Maia Nobre * A despeito das iniciativas de muitos administradores executando algumas obras e promovendo ações sociais localizadas, longe estamos de dotar a periferia das cidades com equipamentos de lazer que contribuam para o espírito jovial e alegre dos seus moradores. Falta-lhe muitas vezes educação, saúde, saneamento, emprego, segurança, transporte adequado e no nosso caso, não fossem as praias o que seria de sua distração? Uma ?peladinha? para poucos, cachaça disfarçada em latas de cerveja para outros, conversa ?jogada fora? pelas vizinhas, são os divertimentos da maioria das camadas pobres. Alertei certa vez da necessidade de se ordenar a ocupação e uso de nossas praias. Visitando há dois anos a bela praia da Sereia, observei a falta de critério das construções naquele local tão ermo nos idos 1964. Hoje ele está parecendo mais uma favela! A região como um todo é linda e por mim nada estaria mudado não fosse o governador Luiz Cavalcante que desejava executar um mirante e que diante de sua insistência sugeri a colocação de uma escultura de sereia. Sugestão aceita, está aí a sereia de todos nós sendo admirada por gregos, troianos, para não dizer também barraqueiros, estrangeiros, turistas, moradores dos arrabaldes e aficionados do candomblé. A imprensa vem noticiando o temor de ambulantes e barraqueiros quanto ao desejo de empresários em construir um resort naquela praia. Desconfiam que serão prejudicados deixando de ganhar seu sustento com o comércio de bebidas e alimentos aos freqüentadores da praia. Acho que não podem ser alijados de suas atividades, contudo por estarem ocupando área de domínio da União, tanto eles como quaisquer que sejam os investidores, devem respeitar as leis e normas que regem o ordenamento do seu uso. Bom para todos é o compartilhamento com disciplina, saneamento da área, limpeza, segurança, construções respeitando gabarito, adequação à paisagem, afastamentos e recuos que permitam que todos apreciem as belezas que a região nos proporciona. Não existe lazer mais democrático do que aquele que o mar e suas praias oferece. Como autor da idéia da sereia, gostaria de analisar o projeto que segundo se afirma, encontra-se pronto. Vamos dar exemplo, compreendendo que podemos e devemos ganhar com uso correto de um empreendimento que também satisfaça à comunidade. (*) É engenheiro.