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Opinião

O Natal da Veja: escuro e frio

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| Cônego Henrique Soares da Costa * A Revista Veja desta semana traz uma matéria sobre a fé. A matéria é ruim. Não poderia ser diferente: é daquele André Petry, velho inimigo da Igreja, ácido e injusto. Em resumo, ele diz que a fé continua profundamente arraigada na alma do povo brasileiro e que o pavor do ateísmo, deve-se ao fato de as pessoas associarem o ateu com alguém sem princípios, de mau caráter ou sem moral... O autor afirma admirar-se de que a fé em Deus se sustente, mesmo com o avanço da ciência. Citando outro ateu, o filósofo francês Michel Onfray, insinua que o sucesso de Deus reside no temor, medo e angústia da humanidade. Estes senhores insistem na bobagem de que crer seja incompatível com as descobertas científicas: a fé seria fruto da ignorância e do obscurantismo... fé e ciência seriam incompatíveis. Quem pensa assim não compreendeu o que é religião, fé, nem tampouco qual o âmbito próprio da ciência. Esquecem que há pessoas cultas e mesmo cientistas que são de profunda fé. Basta recordar o atual papa, culto e profundamente crente. A ciência pode descobrir a dinâmica dos fenômenos e as leis da natureza, mas jamais terá uma explicação para o donde e o aonde de tudo; muito menos para o sentido de tudo quanto existe. É mais lógico afirmar a existência de Deus que negá-la. Enquanto o homem tiver capacidade de sonhar, de ter saudade do bem, da beleza da verdade, da paz, do amor, do infinito; enquanto for capaz de olhar para o mais além e tiver a coragem de não sufocar seu sonho de vida, a idéia de Deus no mundo estará presente! Ser ateu é anti-natural, é anormal, é uma atrofia da mais bela capacidade do homem. Respeito profundamente os ateus, mas o ateísmo é um menos de humanização! Aliás, quando os brasileiros desconfiam da moralidade dos ateus estão corretos. Explico-me. Há ateus decentes, sinceros, de nobres sentimentos, como há crentes que são desumanos e perversos. Mas, o normal é que o homem precise estruturalmente de um critério absoluto do que é bem e do que é mal, do que é certo e do que é errado. Ora, é Deus a garantia última de todo valor metafísico. Sem Deus, o homem é seu deus... e aí, ele pode ser capaz de tudo! Um crente perverso na verdade não é crente, é um ateu, enquanto faz de si mesmo seu critério, seu meio e seu fim. Crer de verdade é ter a capacidade de sair de si e viver na vontade de um outro, que é amor, misericórdia, acolhimento e perdão. Isto requer profunda maturidade e produz profunda liberdade. A fé em Deus, mais que tudo, nos humaniza e humaniza o mundo! (*) É sacerdote e professor de Teologia.

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