Opinião
Um evento esperado
| Dalton Pastore * A Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP) convocou o 4º Congresso Brasileiro de Publicidade, que irá se realizar em maio de 2008, na cidade de São Paulo, quase 30 anos depois do terceiro. O 1º congresso, ocorrido no Rio de Janeiro, em outubro de 1957, praticamente formatou e regulamentou a atividade no Brasil e foi em seus anais que se inspirou a Lei 4.680 que até hoje rege a indústria da publicidade em nosso País. O 2º Congresso foi em São Paulo, fevereiro de 1969. Nele se concordou e legitimou, por exemplo, as regras de cessão de direitos por tempo limitado para os talentos profissionais em produções sonoras. Terceiro congresso, realizado em abril de 1978, São Paulo: deu origem ao Conar, um motivo de orgulho para a indústria da comunicação e que deveria servir de espelho para tantas outras atividades que são realizadas em nosso País. A indústria da comunicação publicitária movimenta todos os anos cerca de R$ 31 bilhões, em propaganda, promoções, marketing direto, pesquisas, mídia exterior, rádio e televisão. E mais R$ 21 bilhões em produção gráfica publicitária, edição e impressão de jornais, revistas e outras publicações. É formada por mais de quatro mil agências certificadas pelo CENP, empregando diretamente cerca de 40 mil profissionais (e de maneira indireta um número incontável de profissionais liberais). Existem hoje no Brasil aproximadamente 150 mil jovens estudando alguma forma de comunicação. Alguns me perguntam se iremos discutir o envolvimento de agências no mensalão, outros me perguntam como iremos evitar este tema doloroso. Não vamos fazer nem uma coisa nem outra. Não é verdade que a corrupção seja própria de um tipo de negócio. A corrupção é própria de um tipo de gente. Também não é verdade a suspeita do TCU de que o formato da indústria possa facilitar o ilícito. Parece que no Brasil nos dedicamos a mudar a regra fraudada, do que a punir aqueles que a fraudaram. De qualquer forma, durante o 4º congresso, estamos dispostos a discutir regras, normas, mudanças, futuro e qualquer tema que possa objetivamente contribuir para que as empresas continuem tendo a seu dispor a mágica da publicidade. Para que a sociedade possa continuar desfrutando dos benefícios mais sagrados da publicidade: desenvolvimento econômico e acesso à informação livre e independente. (*) É presidente da Associação Brasileira de Agências de Propaganda (ABAP).