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O abra�o do ano-novo

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| Dom Fernando Iório * Nossa sociedade, em que pese o jogo da violência, vem manifestando, em certos momentos, amor, amizade, fraternidade, através de inúmeras atitudes e incontáveis expressões reveladoras de emoções e afetos. Psicólogos, espiritualistas e religiosos estiveram à procura de algo que estivesse ao alcance de nossas mãos, capaz de nos rejuvenescer, capaz de prolongar o nosso bom humor, de aliviar nossas tensões, de curar nossas depressões, de algo que nos ajudasse a ressonar no travesseiro da noite. O remédio está à nossa disposição de maneira gratuita. Talvez custe o obstáculo do orgulho que rejeita o contacto com o diferente. A medicina do abraço é miraculosa. Sinal de afetividade e carinho, é o abraço capaz de ajudar o ser humano a viver mais tempo, protegendo-o contra certas doenças, reduzindo a depressão e fortificando os laços emocionais e familiares. Não poucos psicólogos chegaram a precisar o abraço como redutor de depressão e regulador do sistema imunológico da pessoa. Orientadores espirituais não deixam de asserir que o abraço injeta nova energia nos corpos cansados e fatigados, deixando as pessoas abraçadas mais revigoradamente felizes. O abraço amigo aumenta, significativamente, a hemoglobina da pessoa abraçada. Até os vencidos levantam-se, erguem-se, sentindo-se considerados pelo abraço de alguém. Na própria celebração eucarística, todos que participam da missa são convidados a se abraçarem, num desejo de paz. O abraço amigo e sincero prolonga a vida cura o ?stress? e estimula a vontade de viver e crescer na vida. Não é debalde estar Jesus Cristo de braços abertos, no alto da cruz, esperando o abraço da humanidade. A alguém já perguntaram: ?De quantos abraços você precisa por dia? ? De quatro para sobreviver, de oito para manter-me vivo, de doze para prosperar. Estou certo de que um único abraço sincero e amigo restabelece as energias de homens e de mulheres criados à imagem e semelhança de Deus. Se você, meu leitor, permite: considere-se abraçado por mim, ainda que eu não o conheça. Trata-se do meu abraço de ano-novo. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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