Opinião
Quem patrocina? - Editorial
Enquanto no Brasil os quenianos mantêm a escrita de vitória consagradora na corrida São Silvestre e conseguem patrocinadores brasileiros, no Quênia, a morte e o horror seguem célere e também têm seus patrocinadores internacionais. Uma dicotomia que, desgraçadamente, pode ser emblemática das vicissitudes que o mundo globalizado depara-se para mais um velho ano-novo. No domingo, 30 de dezembro de 2007, a 83ª edição da Corrida de São Silvestre, a única prova de atletismo praticada no Brasil com indiscutível repercussão internacional, foi, novamente, vencida por nativos quenianos. Dentre as mulheres, Alice Timbilili venceu sem aperreios (seguida por duas brasileiras). Dentre os homens, Robert Cheruiyot levou fácil o primeiro lugar, seguido de outro seu compatriota, Patrick Ivuti (o terceiro lugar foi conquistado, com muito suor, por um brasileiro). Ontem, 1º de janeiro de 2008, o clube Atlético Mineiro confirmou que é o patrocinador da dupla campeã, em acordo firmado dias antes da prova. No pódio, Cheruiyot e Timbilili ergueram a bandeira do galo mineiro, dando a dica do que seria oficializado dias depois. Entrementes, no Quênia (mais um país dilacerado por guerras tribais e políticas), também ontem, numa cidade chamada Eldoret, pelo menos 30 pessoas teriam sido queimadas vivas no interior de uma igreja, templo onde buscavam proteção contra a barbárie que está marcando o atual processo eleitoral. Até o primeiro dia de 2008 foram contabilizados oficialmente mais de 120 assassinatos durante a balbúrdia instalada desde que a Comissão Eleitoral daquele sofrido país africano anunciou, no domingo, a reeleição do presidente Mwai Kibaki. Neste caso, lá no Quênia, também tem gente de fora financiando os ?atletas? campeões na corrida da morte. Quem serão esses patrocinadores?