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Opinião

Dinheiro versus vergonha

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| José Maurício Brêda * Meu pai era um homem austero, de poucos afagos e impingiu-nos uma educação a seu caráter. Quando as palavras não vingavam, o ?cinturão psicológico? entrava em cena. Mas, sempre que possível, dialogava. Certa feita, nos meus seis, sete anos, pediu que lhe comprasse algo. Na volta, entregando-lhe o solicitado, cobrou-me o troco. Tendo o mesmo sido usado na compra de algum confeito, fiquei cheio de dedos. ?Meu filho, quando lhe entregarem algum valor para algo, se sobra houver, traga-a de volta, pois não é sua.? O mesmo aconteceu muitos e muitos anos depois, já com um de meus filhos. Passei-lhe o mesmo exemplo. No comércio, gerenciando um de seus empreendimentos, indaguei dele por que nós não vendíamos determinadas mercadorias sem nota, já que alguns concorrentes, ao fazê-lo, ficavam sempre com preços abaixo dos nossos. ?Quanto você acha que lucraria com esse tipo de transação, e quanto você pagaria para não se ver envolvido em tal crime? Se puder colocar nos pratos da balança, o dinheiro de um lado e a vergonha do outro, verá que esta terá um valor muito maior?. E mais, ?como posso, presidindo a Associação Comercial, representar e reivindicar os direitos de minha classe junto ao fisco, com tal comportamento?? Atitudes como essa nortearam-me por toda a vida. De meu estimado sogro, Ib Gatto Falcão, na falta de meu pai, continuo a receber, além de sua cultura, exemplos de dignidade, honradez e firmeza de caráter. E foi ele quem disse, numa homenagem a meu pai em 1993: ?Carlos Brêda não se entibiou nunca. Na vida privada, sempre honrou todos os compromissos, mesmo com sacrifícios pessoais. Ascendeu à presidência da Associação Comercial de Maceió, engrandecendo-a e assegurando-lhe, durante os mandatos que exerceu, uma posição de órgão atuante e condutor do comércio da capital.? Hoje, esta mesma Associação abriga em seus centenários salões, mesmo temporariamente, uma outra instituição representativa de um dos poderes de nosso Estado, a Assembléia Legislativa, que passa por momentos tumultuados. Talvez, porque alguns de seus membros tenham se esquecido de lições como as citadas acima. Que os espíritos de homens, a exemplo de Homero Galvão, Carlos Brêda e tantos outros que por ali passaram, a se confirmarem as denúncias existentes, aproveitem a estada desses senhores em ?sua casa? e façam-lhes ver que o peso da vergonha, em qualquer tempo, ainda é bem maior que o do dinheiro. (*) É bacharel em economia.

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