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Opinião

Ano-novo, velhas feridas

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| Ronald Mendonça * Essa pausa de fim de ano, um refresco que algumas sociedades se concedem gozar, são sempre muito bem-vindas, até porque ? por mais interessante que pareçam ? se a nossa existência se resumisse a um centro cirúrgico e a um ambulatório de SUS, que cáspite de vida seria essa? Para os que crêem, o exemplo veio de cima. Exaurido pela construção do mundo e invenção do homem, o próprio Deus não hesitou em descansar no sétimo dia. É justamente em nome Dele que alguns aloprados fanáticos vêm explodindo suas vísceras e a dos desafetos, na esperança de alimentar-se de mel e de leite de sete virgens. Foi assim que nesse fim de ano despacharam a corajosa líder paquistanesa. No continente, 2007 marcou a derrota (apertada) nas pretensões do pelanco de ditador Hugo Chávez de se eternizar no poder por via constitucional, ducha fria nos devaneios de Lula & cia. Pelo menos por enquanto. É que áulicos já soltavam o verbo, plantando a idéia de um terceiro mandato para Inácio da Silva. A recusa da CPMF pelo senado também teria servido para arrefecer os ânimos dos mais assanhados. Dezembro pode não ter sido o melhor mês para a Assembléia Legislativa alagoana. Com efeito, fulminante ação da Polícia Federal escancarou as entranhas daquele poder tornando público um rombo no erário de 200 milhões de reais, cujos escabrosos detalhes advindos de escutas telefônicas demonstram o nível de deboche a que se chegou. O ano foi terrível para os alagoanos, que tiveram de suportar o cinismo de gente, fora do Legislativo, que encheu o papo subtraindo dinheiro dos cofres públicos. Acabou-se aquele clássico falso recato de fingir que saiu pobre de um cargo público. Não é de estranhar a mexida que o pálido Mantega deu na economia, aumentado alíquotas. É mais imposto, gente. Eu compreendo essa necessidade. Afinal, sustentar os apaniguados, os aspones, do governo Lula não é fácil. Como garantir mordomias, sinecuras e roubalheiras nos poderes? De onde tirar o financiamento de campanhas eleitorais se não houver impostos que garantam as obras superfaturadas desse País? A corrupção oficial tem preço. Com lances de violência em todo o País, o réveillon do Rio de Janeiro foi particularmente cruel. Se não bastassem os sustos de Paulinho da Viola e de Helena Ranaldi, para as vítimas de balas perdidas a experiência certamente foi inesquecível. Pessoalmente, revivi dores não cicatrizadas com a agressão ao filho do médico Lídio Toledo. (*) É médico e professor da Ufal.

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